Senhor, ajude-nos a cairmos sempre prostrados aos seus pés em sinal de constrangimento, submissão e amor!



quinta-feira, 30 de abril de 2009

NA CASA DO FARISEU, POR AMOR.

"E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele;
e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa." Lc 7.36

Esse texto retrata uma linda história de amor. Diria até, de uma mulher híper apaixonada por Jesus. Ela entra por detrás do Mestre, sem se interessar se seus pés estão sujos, pela poeira da estrada, com odor não muito agradável.... Não... Ela não liga pra isso. Seu objetivo é único: chorar aos pés do seu amado.

É uma linda história, que nos mostra o quanto precisamos amá-lo, sem olhar para o que Ele vai fazer por nós, muito pelo contrário, amá-lo pelo que Ele já fez.
No entanto, o texto começa apresentando exatamente um Mestre que se revela como um apaixonado pelo pecador. Seu amor é incondicional ao ponto de fazê-lo descer à casa de um fariseu. Diria, um leproso fariseu. Encharcado pela lepra da hipocrisia.

Os fariseus eram aqueles que se portavam como os mais excelentes filhos de Deus. Prendiam-se aos estereótipos, às aparências. Todos deveriam saber que estavam orando, jejuando, orfertando, enfim; o que faziam, faziam-no para que os homens soubesse; ou seja, agiam exatamente contrários aos mandamentos do Mestre.

E é na casa de um fariseu hipócrita e com a lepra da auto-exaltação que Jesus entra. Que coisa linda! O Mestre maior tem um objetivo. Sua vida é pra ser vivida dentro de uma ação pré determinada. Costumo dizer que a discussão sobre predestinação existe há muito tempo, mas todos os adeptos a essa calorosa discussão se curvam diante da assertiva: Jesus foi um predestinado. Predestinado a morrer morte de Cruz, predestinado a não pecar, predestinado a salvar, predestinado a amar, amar incondicionalmente...

Quero compartilhar três pontos sobre a descida e entrada de Jesus na casa de Simão, o fariseu:

(a) Não há circunstâncias pecaminosas que superem o amor de Jesus

Simão, o fariseu, rogou ao Mestre que entrasse em sua casa. Depreende-se desse texto que houve uma pré disposição no fariseu em rogar. Ele não pede, ele roga, implora.

Confesso que minha mente não concebe a idéia de que Jesus só entrou na casa de Simão porque houve esse dito "rogo". Acredito, piamente, que o Mestre permitiu ao fariseu rogar para que houvesse um processo de humilhação por parte desse pecador.

Não se pode negar o fato de que Jesus, ao entrar na casa de simão, desce às partes mais baixas, no contexto religioso. Entende-se, portanto, que não há circunstâncias pecaminosas que superem o amor de Jesus. Ele vai aonde está o mais terrível pecador. Seu objetivo é se revelar, é se apresentar como aquele que ama.

Foi assim que fomos atingidos pelo Senhor. Ele desceu até aonde estávamos (ou alguém acredita que, por si só, subiu aonde Jesus estava e se entregou a Ele?), e ali, naquela lama pecaminosa, encontrou-se conosco.

(b) Ele trata o homem como homem

É óbvio que muitos dos que ali estavam, pensaram a respeito do comportamento não muito convencional do Mestre; mas esse seria sempre o seu comportamento. Ele não faz distinção entre homem e homem.

Nós é que temos esse comportamento de sub dividir os homens em classes. Para a humanidade, o ser humano está dividido em classes; para a igreja, os homens estão divididos em classes; mas para Jesus não há divisão. Jesus olha e vê o homem dependente de seu amor.

Quando Ele entra na casa de Simão, Ele trata Simão como Simão. Um fariseu, com a lepra da hipocrisia, corrompido e dependente de seu amor salvífico. Não há como não entender que esse seria o tratamento que Jesus daria a Simão, pois sempre foi assim.

Muitas vezes não compreendemos por que recebemos do Senhor determinado tatamento; daí começamos a nos preocupar. Somos confrontados e isso nos leva à indagações profundas. Sabe?

Isso não é nada. Ele trata-nos como somos. Somos homens.

(c) Ele vai aonde o homem está

Foi o Mestre mesmo quem disse que os sãos não precisam de médicos, mas, sim, os doentes. Desta forma, compreende-se que Ele vai aonde o homem necessitado se encontra.

Ninguém consegue dar um passo em direção ao Senhor por vontade própria; logo, sempre é Ele quem dá o primeiro passo. Não interessa a Jesus aonde o homem esteja, Ele vai ao encontro do homem.

O que acontece depois, em relação à mulher, é algo maravilhoso e que nos revela grandes lições de amor, mas é fruto de um acontecimento marcante - Jesus na casa de um fariseu com a lepra da hipocrisia.

Que o Senhor nos ajude a compreender seu grande e imensurável amor!

Sola Scriptura.

WJ

sábado, 25 de abril de 2009

PR. JOSÉ WELLINGTON É REELEITO PRESIDENTE DA CGADB.

A 39ª AGO, realizada entre os dias 20 e 24 de abril, encerrou-se após a posse da nova Mesa Diretora. Como é de ciência de todos, o Pr. José Wellington foi reeleito para presidir a CGADB pelos próximos 4 anos.

Não se pode negar que a gestão do Pr. José Wellington à frente da CGADB, ao longo dessas duas décadas (ora na presisência, ora compondo a Mesa, mas sempre com o mesmo grupo), teve muito de positivo, incluindo aqui a elevação de nossa CPAD como a primeira Editora Evangélica do Brasil (e América Latina?). No entanto, penso que a razão por que há uma continuidade no poder deve-se a dois fatos:

1) O atual grupo que está à frente da CGADB não queria ficar de fora (na questão administrativa) do Centenário das Assembléias de Deus no Brasil (2011). Ganhando essa eleição, após mudança estatutária (de 2 para 4 anos de mandato), essa nova Mesa, presidida pelo Pr. José Wellington, estará incumbida de assumir os festejos do centenário. Trata-se de uma grande festa!!!!

Faço um comentário, estritamente pessoal, sobre esse ponto: Penso que é mais que justo uma pessoa entender que deva estar à frente da Instituição que presidiu ininterruptamente desde 1995, e que está compondo a Mesa desde o começo da década de 1980, nos grandes festejos do, tão esperado, Centenário das Assembléias de Deus. Por esta razão, meus parabéns ao Pr. José Wellington, que já marcou seu nome nas páginas da linda história das Assembléias de Deus, e que com esse feito, com certeza, estará entre as maiores lideranças que o Senhor já levantou nas Assembléias de Deus (no meu modesto ponto de vista, atrás apenas dos Pastores fundadores, Daniel Berg e Gunnar Vingren).

2) Ainda há um pensamento contrário à idéia de se transferir a responsabilidade de guiar os caminhos da CGADB a essa nova geração. Nunca me esqueço de um Pastor que pregou na Capela do IBAD (Pindamonhangaba - SP), em minha época de seminarista, e disse que num diálogo entre dois pastores, o da antiga geração dizia: "Que tipo de homens assumirão 'nossas' igrejas?!!" E dizia isso com uma preocupação profunda. Enquanto o Pastor da nova geração retrucava: "Que tipo de igreja, receberemos das mãos dos líderes mais antigos?!!" E, também, dizia isso com uma preocupação profunda.

É de se notar que há uma grande preocupação dupla: uma por parte da "velha guarda" (com todo respeito), que por zelo ou coisa similar, não vê na nova geração condições para assumir a direção da CGADB. Outra, por parte da nova geração, que vê um "atraso" enorme na "velha guarda". Pensa que a velha geração não acompanhou, como deveria, os avanços da pós modernidade, e, por isso, estaria ficando para trás; não extraindo tudo que deveria e poderia para a realização de um trabalho muito mais salutar.

Meu modesto comentário sobre esse tópico é o seguinte: O período de transição é sempre complicado. No entanto, um dia os da "velha guarda" foram novos e assumiram os trabalhos com os mesmos olhares que olham hoje, e deram conta do recado. A obra é do Senhor! Não podemos correr o risco de fazermos como Josué, que não fez um líder substituto.

O fato é que não haverá alternativa, um dia eles terão que transferir o "poder". Cabe à nova geração amadurecer cada dia mais. Penso que o Senhor, que é o dono da obra, está, com tudo isso, dizendo a essa nova geração: "Ainda é tempo de se preparar e amadurecer, vai chegar o dia em que vocês estarão à frente da CGADB".

É hora de se voltar e fazer grandes reflexões.

O Pr. Samuel Câmara foi meu professor em Pindamonhangaba. Trata-se de um homem voltado para a obra missionária. Já comprovou sua capacidade na administração das Assembléias de Deus do Amazonas e, agora, em Belém tem feito um grande trabalho, mas alguma coisa ainda está faltando, pois perdeu a eleição para presidente da Convenção do estado em que preside a igreja-mãe. Isso não se pode deixar de ver, quando se trata de um candidato a presidente da CGADB.

Minha oração e desejo é que tenhamos o entendimento e a compreensão de que essa obra é do Senhor e Ele está no controle de todas as coisas. A eleição da nova Mesa foi a vontade do Senhor.

Sola Scriptura.

domingo, 5 de abril de 2009

PORQUE EU ACREDITO EM JESUS

Confesso que muitas vezes me pego pensando e meditando aleatoriamente... e nessas viagens, muitas vezes sinto minhas convicções, muito bem plantadas em meu coração a cerca dos eventos futuros, serem sacudidas; abaladas de tal forma que preciso me refazer para não acontecer comigo o que aconteceu com o salmista Asafe (Sl 73).

Sei, perfeitamente, que é loucura acreditar no espiritual; no entanto, o próprio Paulo quando foi ter com os de corintos também não foi em palavras de doutos, mas levando a mensagem da loucura da cruz. É de se entender que o cristianismo, o evangelicalismo possui nas loucuras da cruz a sua base sólida.

Ao perceber a forma como o cristianismo de muitos se desenvolve, passo a indagar sobre a verdadeira conduta do autêntico servo do Senhor. Não há como mesclar espiritualidade sadia com uma práxis não condizente com tal espiritualidade.

Muitos vivem uma história de cristianismo completamente antagônica à descrita nos evangelhos. Isso me faz lembrar duma resposta dada por Gandhe a respeito do cristianismo: “Acredito na mensagem do Cristo, mas não no cristianismo da igreja”. É de nos deixar arrepiados, quando um ímpio confessa que o cristianismo da igreja não é condizente com a proposta do Cristo.

Acredito em Jesus, independente de qualquer ações ou teorias:

a) Jesus está muito acima dos dogmas.

Penso que é de suma importância os dogmas de uma instituição, mesmo sendo evangélica. Penso que também constituem marcas históricas, por conseguinte, devem ser preservadas por nossa geração. No entanto, acredito piamente que a proposta de Jesus – as doutrinas bíblicas – está acima dos dogmas. Não podemos nos prender aos dogmas e coloca-los acima de tudo, inclusive da doutrina.

A doutrina apresentada por Jesus é o caminho mais curto entre o homem e o seu Senhor. Seguir as doutrinas de Jesus incondicionalmente é cumprir e fazer cumprir os ideais da Palavra do Senhor. Enquanto os dogmas, muitas vezes, nos aliena, a doutrina de Cristo nos coloca à luz da realidade histórica.

b) Jesus está acima dos pressupostos teológicos.

Acredito no estudo sistemático da teologia, e acredito na teologia como a ciência que visa ao estudo de Deus e seus atributos. Sou um amante do estudo sistemático, do pensar livre e do contraditório. No entanto, penso que a doutrina prescrita na Palavra do Senhor é mais que suficiente.

Aprendi que aonde a Palavra não pode ir (e não há lugar que ela não possa ir), não será o homem com seus estudos sistemáticos e profundos que conseguirá ir. Portanto, defendo a tese de que não precisamos depreender idéias daquilo que claro e evidente quanto à sã doutrina. Os pressupostos teológicos são para debates acadêmicos, mas não devem nortear a conduta de fé. A crença em Jesus é mais que suficiente para nos fazer ultrapassar todos os limites e alcançarmos aquilo que o Senhor nos propôs.

A minha conclusão é concisa: acredito que mais do que nunca precisamos confiar em Jesus e entregarmos nossos caminhos a Ele, pois Ele é fiel e justo para nos fazer descansar.

Soa Scriptura.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

E AGORA... AS CINZAS

Mas porque com este feito deste lugar a que os inimigos do Senhor blasfemem, o filho que te nasceu morrerá. 2 Sm 12.14
.
Deixando de lado a questão histórico-religiosa que envolve todo o processo carnavalesco, o fato é que estamos na chamada “quarta-feira de cinzas”. Um período em que os foliões (nem todos, é óbvio) estão se recuperando dos festejos que levaram o corpo ao êxtase nos últimos quatro dias.

É o dia de juntar as cinzas do que se restou; ajuntar os cacos, como dizia minha avó. É o dia de se deitar e relaxar, relaxar e relaxar. Amanhã é um outro dia... e a vida continua: trabalho, casa, escola...

Mas é também para a Igreja Santa um dia de se pensar sobre recomeço. Entendo que estamos necessitados de um mover do Espírito que nos leve a uma introspecção tal que nos conduza a reflexões profundas sobre nossa conduta diante do mundo e da sociedade.

a) Urge a necessidade de juntar os cacos

Algumas indagações devem ser feitas: O que fizemos nos transcorrer desse ano? E nesse período de carnaval? Como temos nos comportado diante da sociedade carente pelo Evangelho de Jesus?

É preciso juntar os cacos do que sobrou. É interessante observar que se ainda há cacos, há alguma coisa para apresentarmos ao Senhor. À semelhança do que falou o Senhor a Jó: “Pelo menos há esperança para a árvore: Se for cortada ainda se renovará, e não cessarão seus renovos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e morrer o seu tronco no pó, ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como planta.” (Jó 14.7-9).

Ainda estamos perto das águas que alimentam e saciam a sede! Juntemos os cacos e apresentemos ao Senhor, pois Ele é capaz de nos apresentar o caminho do sucesso e da grandeza espiritual.

b) Urge a necessidade de orar

A Igreja precisa orar mais. Temos a necessidade ímpar de vivermos uma vida de oração. Sei, perfeitamente, que oro menos do que orava e muito menos do que devia, mas hoje estou sendo tocado pelo Senhor a voltar a ter uma vida de oração mais vívida. A oração, na linguagem de Caio Fábio, é “mente que tagarela com Deus”. É a relação íntima entre dois seres. Orar é necessidade imediata da Igreja.

Penso que é de suma importância a oração congregacional, além de genuinamente bíblica, mas estou me referindo à oração individual, aquela sobre a qual o próprio Senhor Jesus falou, “entra, feche a porta do seu quarto e o Senhor que te vê em oculto te recompensará” (Mt 6.6). Não resta dúvida de que essa postura é uma necessidade mais que urgente da Santa Igreja do Senhor nos dias atuais.

c) Urge a necessidade de rever seus conceitos

Precisamos rever nossa conduta enquanto servos e representantes do Reino. Qual tem sido nossa prática diária? Temos dado o exemplo desejado pelo Senhor?

Quantos equívocos cometemos, mesmo com a intenção de fazermos o correto. Muitas vezes ferimos nossos irmãos no afã de lutarmos pela verdade (ou suposta verdade). Esse é o momento que o Senhor nos tem dado para a ortopraxia.

Bom, nessa reflexão pós carnaval, meu desejo é que nós, enquanto Igreja do Senhor, logo, portadora do baluarte da verdade sagrada, conduzamo-nos pelo caminho da reflexão e do amor.

Sola scriptura

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O QUE ESPERO DA ASSEMBLEIA DE DEUS

Dei meus primeiros passos na fé em uma Igreja Batista. Foram momentos mágicos, dos quais me lembro até o dia de hoje. Adorava quando minha avó me levava aos domingos para participar da Escola Bíblica Dominical na Primeira Igreja Batista de Angra dos Reis. Após o ensino nas classes, íamos para o templo ouvir as maravilhosas e profundas mensagens proferidas pelo pastor da igreja, Pr. Manoel Luís Sobrinho - homem de uma capacidade e envergadura invejáveis.

No entanto, após alguns anos, fui com meus pais para a Assembleia de Deus, igreja que aprendi amar e trabalhar para o Senhor. Aqui gastei minha adolescência e juventude; vivi quase toda minha vida, ingressei no Seminário e no Santo Ministério. Aprendi que devemos dar frutos onde Deus nos planta, e acredito fervorosamente que o Senhor me plantou na Assembleia de Deus para aqui servi-lo com todo meu coração.

Não posso negar, portanto, que a Assembleia de Deus tem se moldado aos parâmetros atuais e, com essa postura, se distanciado de alguns marcos antigos. Não quero entrar no mérito dessa questão, mas posso afirmar que essa postura tem trazido alguns retrocessos, embora alguns queiram avistar somente os avanços.

Tudo bem, o fato é que estamos às portas de uma Convenção - 20 a 24 de abril de 2009, no Pavilhão de exposições de Carapina, Vitória/ES - que se diferencia das anteriores por duas razões fundamentais: primeira, elegeremos a nova Mesa Diretora para os próximos quatro (e não, dois) anos; e, segunda, essa nova Mesa conduzirá as Assembleias de Deus nos festejos do seu centenário. Isso tem feito com que muitos assembleianos amantes da instituição lancem nos blogs e meios de comunicação, seus sonhos e almejos das Assembleias de Deus.

Não poderia deixar de expor meus desejos. Ei-los, ao menos alguns:

a) Que saiamos dessa Convenção unidos. Confesso que tenho orado muito pelo futuro de nossa Convenção após as eleições no dia 23 de abril do corrente ano.

b) Que a nova Mesa e os que comporão os cargos de todos os escalões sejam verdadeiros homens de Deus, compromissados com os ideais de Cristo e o modelo de igreja assembleiana.

c) Que haja uma luta incansável para que as Assembleias de Deus tenha uma “cara”. Sei da dificuldade, por termos uma Convenção de Ministros, em que não há gerência nas Igrejas, mas que se tenha iniciativa de apresentar uma Assembleia de Deus unida em sua Doutrina.

d) Que uma minoria não decida a “regra do jogo”. Espero que as Assembleias de Deus faça as eleições em um dia determinado, mas que as urnas estejam espalhadas pelas Convenções Regionais e Estaduais. Não preciso ir a Vitória votar, poderia votar na sede de minha convenção regional, a CONFADERJ, por exemplo. Um Ministro do interior do Piauí, por exemplo, não precisaria vir a Vitória, antes votaria na sede de sua convenção regional, enfim. Com certeza, teríamos muito mais Ministros participando do processo eleitoral e a Mesa sairia com mais autoridade.

e) Que as Assembleias de Deus pense e repense sobre a busca incansável de se obter um canal de televisão. Penso que mais importante que isso, é a manutenção de uma agenda educacional e social. Poderíamos ter um Hospital Assembleiano, um Colégio Assembleiano, um Asilo Assembleiano, etc. Quanto ao canal de televisão; deveríamos investir na evangelização utilizando a mídia, mas não há necessidade de se obter um canal. Até porque, o canal de televisão pertencerá à Assembleia de Deus, mas ficará no nome de quem?

f) Que as Assembleias de Deus não seja vista como uma empresa ou um pequeno feudo. Que a ideia (que já faz parte da prática) da hereditariedade desapareça.

g) Que haja um pensamento de se emancipar igrejas com condições de se manter. É de puro mal gosto o que vemos em nossa querida denominação; Presidentes se fartando enquanto um incontável números de fiéis trabalhadores são escravizados.

É isso que espero da minha querida Assembleia de Deus. Sou um Ministro Assembleiano, e aprendi amar minha denominação, mas entendo que ainda estamos muito aquém daquilo que o Senhor determinou para nós.

Sola Scriptura.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

DEUS É ALTAMENTE SOBERANO (PARTE II)

“O apóstolo Paulo estava decidido a levar o evangelho a qualquer lugar, mas não
estava pronto a pregar um outro evangelho; ninguém seria capaz
de torná-lo disposto a isso. Paulo não estava disposto a camuflar,
amenizar, abreviar ou ampliar o evangelho.”
C. H. Spurgeon
.
Dando continuidade ao artigo anterior, onde foi discutido a tese da soberania de Deus, por entendimento subjetivo de que se trata de uma doutrina bíblica e histórica, é importante salientar que se trata de um assunto abrangente, instigante e, no mínimo, com margens a múltiplos entendimentos. O que se pretende aqui não é o seu esgotamento – o que seria muita pretensão -, mas expor, de forma bíblica, aquilo que norteia meus pressupostos doutrinários e teológicos.

b) Ele é soberano em Sua mensagem

Foi proposital a citação do “Príncipe dos pregadores” - C. H. Spurgeon -, não somente porque se trata de um autêntico servo do Senhor, mas pela clareza como resume a relação do apóstolo com seu chamado evangelístico e missionário.

Paulo foi o homem que, talvez, mais entendeu a profundidade e virgindade do evangelho de Jesus. Sabia que seu papel na história era o de anunciar, proclamar a todos a respeito do Senhor, e o fazia com tamanha intensidade!

O evangelho do Senhor é o evangelho capaz, é a mensagem completa. Lembro-me, ainda quando criança, de que um pastor em seu sermão afirmava que onde a Bíblia não podia entrar (e não há lugar em que ela não possa entrar), homem algum entraria. É interessante que essa afirmativa fincou em meu coração de forma que jamais a pude tirá-la. Hoje entendo perfeitamente o que esse pastor quis dizer com tal afirmação. O Evangelho é a mensagem completa do Senhor Jesus Cristo; e Cristo é altamente soberano em sua mensagem, por isso, não há necessidade alguma de alguém enxertar ou temperar essa mensagem para conseguir êxito em seu sermão.

A mensagem do Senhor explícita em sua palavra é o todo de Deus para a humanidade; é o completo de Deus para nós. Acredito piamente na autorevelação de Deus aos seus servos. Aconteceu assim no passado. Mas, entendo que tudo aquilo que o Senhor desejou para seu povo como doutrina, princípio está na Bíblia Sagrada; e está exatamente por que Ele é altamente suficiente e soberano em sua mensagem. Não há uma mensagem que seja de Deus e, ao mesmo tempo, seja passiva de um complemento. Acredito em um Deus completo, soberano.

c) Ele é soberano em Si

O evangelista João assim assevera:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Filho Um unigênito, para que todos aqueles que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. (Jo 3.16)

Esse texto, além de ser um texto muito lido nas igrejas e de particular interesse por parte de muitos irmãos, tem uma relação profunda com a imanência de Deus e, por si só, é capaz de aprofundar o assunto em questão: A soberania de Deus em Si mesmo.

O maior dos sentimentos, pelos quais muitos deram suas vidas; escreveram um incontável número de romances, poesias, etc; firmaram uma forma íntima de viver; entregaram-se, entregaram e foram entregues; enfim; aqui é simplesmente um sentimento que nasce no coração de Deus; um sentimento que explode no coração de Deus. Deus é o agente. É o que tem as rédeas da situação.

O amor é um substantivo abstrato, ou seja, só existe dentro de uma existência. A linguística define algo abstrato como sendo tudo aquilo que não possui existência própria, por isso, necessita de uma existência anterior para existir. O amor passa a existir na existência de Deus. É Deus o primeiro Ser que permite sentir esse sentimento profundo, o qual dá o nome de amor. Que lindo! Ele é soberano em Si, na sua própria existência. Ele pratica a ação de amar sem que houvesse ainda o amor. O verbo precede o substantivo. Ele verbariza, Ele age, Ele é.

Depois, percebe-se que esse amor que nasce em sua existência explode em seu coração não de uma forma aleatória, mas objetiva. Ele ama e seu amor tem um objeto - a humanidade. Aqui, precisamos parar e pensar um pouco. A Teologia Marginal prega que Deus é o objeto de nossa adoração e de nosso amor. Isso pode até soar bem aos nossos ouvidos, mas fere a soberania de Deus. Na verdade, nós é que somos objetos do amor de Deus. Deus amou o mundo. É ele quem ama primeiro; e o objeto de seu amor é a humanidade.

Então quer dizer que não amamos a Deus? Não é isso que digo. Acredito que amamos a Deus sim, mas não como causa. Não amamos a Deus primeiro, muito pelo contrário. Amamos a Deus como consequência. Primeiro Ele nos amou.

Ele é soberano em si; Deus não precisa de nada para ser o que é. Ele simplesmente é; e o é por excelência.

Não estou na igreja para ser salvo; não sou fiel a Deus para ser salvo; não dizimo para ser salvo; não faço nada para ser salvo. Não. Sou salvo em Cristo por graça e por causa disso é que estou na igreja, sou fiel a Deus, dizimo e faço o que faço. Há uma grande diferença aqui.

Ele é soberano em Si.

Sola Scriptura

sábado, 24 de janeiro de 2009

DEUS É ALTAMENTE SOBERANO

“Vede, agora, que eu, eu o sou, e mais nenhum deus comigo; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e ninguém há que escape da minha mão. Porque levantarei a minha mão aos céus e direi: Eu vivo para sempre. Se eu afiar a minha espada reluzente e travar do juízo a minha mão, farei tornar a vingança sobre os meus adversários e recompensarei os meus aborrecedores.” Dt 32.39-41
.
No momento em que me preparo para redigir esse artigo reflexivo, vem a minha mente um episódio que marcou minha estada no Seminário Teológico. Tínhamos aulas memoráveis, e numa delas, Teologia Sistemática, discutíamos sobre o processo salvífico. Meu professor, Pr. Cláudio Rogério dos Santos, foi seguro, objetivo e claro: “Não há salvação fora do sangue de Jesus”.

Lembro-me, também, que havia uma febre no Seminário. Quase todos os seminaristas liam o livro “O fator Melquisedeque”, Millard Erickson, Editora Vida Nova (inclusive, indico a leitura). Esse livro trata do mundo preparado para receber o Messias. Narra fatos históricos que, na mente do autor, eram caracteres visíveis de que havia uma manifestação divina para todos os povos, incluindo aqueles que não tiveram contato com o evangelho.

Com base nas informações do livro de Erickson, um colega perguntou ao Pr. Cláudio, professor de Teologia Sistemática: “Se não há salvação fora do sangue de Jesus e, se muitos não tiveram oportunidade de contato com a mensagem do evangelho, como chegam à salvação? Isso não seria calvinismo?” Ao que o professor respondeu: “
Você pode até pensar que é calvinismo, mas continuo afirmando que não há salvação fora do sangue de Jesus”.

Meus pressupostos teológicos primam pelo que é bíblico e histórico. Destarte, não posso nem devo, por questão de bom senso, ir contra os princípios que norteiam meus pensamentos teológicos. Ainda que alguns me tenham como reformado, calvinista ou similar, sempre pautarei minhas idéias pelo que entendo ser bíblico e histórico.

À semelhança do meu professor, também não entendo salvação fora do sangue de Jesus. Acredito piamente que o conhecimento no poder de salvação existente no sangue de Jesus, que leva o homem a invocar o nome do Senhor (Rm 10.13), é a expressão maior da salvação. É interessante que “isso não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).

Acredito na soberania incondicional do Senhor. Sou um cristão professo, autêntico e conhecedor das limitações humanas. Por tudo isso, acredito e aceito a soberania do Senhor.


a) Ele é soberano em suas ações

Há, nitidamente, no cântico de Moisés (Dt 32) a intervenção de Deus na história de seu povo, eliminando as nações pagãs e dissipando seus deuses. O próprio Deus de Moisés se autoengrandece pelos seus feitos. Quando Moisés e Israel olham para a história percebem que Deus fez o que fez simples e puramente porque quis fazê-lo. Não se percebe nas linhas históricas e doutrinárias nenhuma resistência sobre essa questão.

Hoje, parece que com o advento da “Teologia Marginal”, aquela que pressupõe o homem como criador e Deus como criatura; aquela que atribui ao homem direito sobre Deus; aquela que leva o homem a colocar Deus no paredão e, tal qual Pedro (Mt 16.22), repreende-lo, dizendo: “Se não me der isso ou aquilo, deixo de te seguir”; o homem passou a indagar a soberania de Deus. É clara e evidente a noção de um Deus que não seja soberano em suas ações, mas que precisa pedir autorização ao homem para realizar o que quer, porque se Ele fizer o que quer e isso ferir os padrões éticos e morais que permeiam o arcabouço intelectual do homem, não se está diante de um Deus genuinamente bom e bíblico.

Parece-me genuinamente bíblico aceitar um Deus altamente soberano, que esteja acima de meus pressupostos e, até mesmo, de minhas adequadas justiças. Sobre nossa justiça, Paulo afirma que “a loucura de Deus é mais sábia que os homens” (1 Co 1.25). Não há como aceitar um Deus pela metade. O grande problema hoje é adequar um Deus àquilo que se é conveniente. Mas o Deus da bíblia e da história não é um Deus que se permite adequar; não é um Deus passivo, muito pelo contrário. Acredito num Deus que tem as rédeas da situação, que controla todas as coisas e que é soberano em tudo que faz.

Partindo dessa premissa básica, entendo que o processo de salvação é cristocêntrico, ou seja, começa nEle, se desenvolve nEle e termina nEle. Nesse processo, o homem é passivo. O homem é atingido pelo poder de salvação existente no sangue dEle e, daí então, clama pelo Senhor.

Louvado seja o Senhor porque nos fez ovelhas de seu pasto e pelo fato de ser soberano em suas ações.


Que Deus nos abençoe.

Sola Scriptura.

sábado, 27 de dezembro de 2008

EU ACREDITO NO EVANGELHO DA CRUZ

“Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: Os profetas profetizam falsamente, os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles, e o meu povo assim o deseja. Mas o que fareis quando chegar o fim?”
Jr 5.30,32
A Igreja mística de Jesus não tem outra mensagem a pregar, outra atitude que não seja anunciar o evangelho da cruz. Sem sombra de dúvida, esta é a sina da Igreja. O evangelho completo ao homem completo; o evangelho todo a todo homem.

Quando Jesus disse que “as portas do inferno não prevalecerão contra minha igreja” (Mt 16.18), com toda certeza, estava profetizando sobre o processo de morte e ressurreição – caracteres visíveis e cruciais na teologia da salvação -, e sobre as arrebatadoras lutas e entraves, pelas quais sua Igreja passaria.

As artimanhas do adversário maior, na tentativa de impedir o avanço acelerado da Igreja ao longo da história, foram enormes e crescentes. Essas tentativas sempre passaram pela luta incansável em distanciar o evangelho da cruz. Quando a cruz sempre foi símbolo e marca no evangelho puro e sadio de Cristo, o diabo luta para ofuscar esse brilho. No mesmo texto de Mt. 16.13-23, Jesus assevera acerca de sua ida a Jerusalém, sofrer, padecer e morrer a fim de ressuscitar. A cruz estava nos planos de Deus já desde o princípio, como afirma o apóstolo Paulo em Fl 2.8: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

a) Os modernistas dos dias de Spurgeon

Charles Haddon Spurgeon (1834-92) foi o mais conhecido pregador da Inglaterra pela maior parte da segunda metade do século dezenove. Em 1854, apenas quatro anos após sua conversão, Spurgeon, então com apenas vinte anos, se tornou pastor da famosa Igreja Batista de New Park Street em Londres (anteriormente pastoreada pelo grande teólogo John Gill). A congregação rapidamente cresceu mais do que seu prédio poderia comportar, mudando-se então para o Exeter Hall, e de lá para o Surrey Music Hall. Nestes locais Spurgeon freqüentemente pregou para audiências com mais de 10.000 pessoas - e tudo isto em dias anteriores ao advento da amplificação eletrônica. Em 1861 a congregação se mudou definitivamente para o recém construído Tabernáculo Metropolitano.

Spurgeon foi um exímio pregador que confrontava o evangelho da cruz. Não aceitava que qualquer tipo de mensagem ferisse o cerne do evangelho – a mensagem da cruz. Sobre a adaptação da mensagem ao moderno de sua época, ele salientou:

“A idéia de um evangelho progressista parece ter fascinado a muitos. Para nós, essa idéia é uma espécie de híbrido de tolice com blasfêmia. Depois do evangelho ter se mostrado eficaz na salvação eterna de incontáveis multidões, parece tarde para querer muda-lo; e, visto que ele é a revelação de um Deus todo-sábio e imutável, parece um tanto audacioso tentar aprimora-lo. Quando trazemos à memória os cavalheiros que se propuseram a essa tarefa presunçosa, sentimo-nos bastante inclinados a rir; é como a proposta de toupeiras para melhorar a luz do sol...”

Spurgeon com sua mensagem sólida, revolucionou a segunda metade do século XIX. Levou até as últimas conseqüências, mas não usurpou, trocou ou barganhou com o evangelho da cruz.

b) O pragmatismo moderno

Hoje, estamos diante do pragmatismo, dos métodos folosóficos, sociológicos, etc e tal para se fazer a igreja crescer. Tentam adequar a mensagem do evangelho ao público. Não pode ser uma mensagem que fira os ouvidos, que cause dor ou algo parecido. Algumas igrejas hoje mais parecem auditórios repletos de pessoas desejosas para ouvirem exatamente aquilo que o pregador vai falar. Isto se dá pelo fato do pregador falar exatamente aquilo que o auditório deseja ouvir. O evangelho da cruz é diferente. Aqui o pregador fala o que o auditório precisa ouvir; necessita ouvir.

Sobre contextualizar a mensagem, ou seja, amoldar o evangelho àquilo que o público deseja ouvir, afirmou, acertadamente, John F. MacArthr Jr.:

“ (...) Em contraste, a ‘contextualização’ do evangelho em nossos dias infectou a igreja com o espírito desta época. Escancarou as portas da igreja para o mundanismo, para a superficialidade e, em alguns casos, para uma grotesca atmosfera de festividade. Agora é o mundo que dita a agenda da igreja.”

Pode até ser difícil, mas a batalha está travada. Como asseverou o profeta Jeremias: “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra.” Não se trata de estratagemas para uma terceira guerra mundial ou algo de maior (sob a ótica humana) gravidade, não. É a união dos profetas e sacerdotes, sob a liderança do adversário maior para ludibriar o povo com um evangelho barato, sem cruz.

Acredito no evangelho da cruz por que:

1) É o evangelho bíblico

Paulo fala aos corintos: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Pois nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.1,2). O evangelho da cruz foi sempre a mensagem de Paulo. Nunca o apóstolo adequou o evangelho para acomodar a quem tivesse ouvindo. Para Paulo o evangelho sempre foi o evangelho da cruz, com suas marcas próprias.

Ainda que alguns hoje tentem amordaçar o evangelho, amenizar sua mensagem, contextualizar sua doutrina, o evangelho da cruz sempre apontará o pecado, contrastará o erro e mostrará o verdadeiro caminho (At. 4.12). O evangelho da cruz traz prejuízos a todos que queiram usufruir de forma ilícita. Ninguém ganhou com o evangelho, muito pelo contrário.

Às vezes me pego pensando: se o apóstolo Paulo (ou qualquer outro apóstolo) vivesse em nossos dias...

2) É o evangelho que não aceita barganha

“Os profetas profetizam falsamente, os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles, e o meu povo assim o deseja”.

Que coisa horrorosa! Mas é o que se presencia nos dias atuais, nos dias do pragmatismo. Pastores cedendo os púlpitos para que pregadores preguem exatamente aquilo que os pastores desejam ouvir. Os ouvintes gritam, sapateiam, esperneiam, tudo em nome de um poder que não sei de onde vem. Vivemos a máxima: “Ele finge que prega, a gente finge que entende.” Paulo na sua carta pastoral, admoestou Timóteo, dizendo “... porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo coceira nos ouvidos, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças...” (2 Tm 4.3). É exatamente isso que presenciamos nos dias atuais. Pregação sem cruz; mensagem que faz cócegas aos ouvidos e satisfazem plausivelmente os ouvintes.

Há uma verdadeira barganha com o evangelho. Estão barateando a graça preciosa do Senhor.

3) É o evangelho da prestação de contas

“Mas o que fareis quando chegar o fim?”

O evangelho da cruz é o evangelho do caminho do Senhor. Paulo fala aos Cotintios sobre suas dificuldades (2 Cor 11). Caso o caminho do Senhor nos leve ao enfrentamento, à solidão, nada pode nos impedir de pregar o evangelho puro, o evangelho da cruz. Não podemos, em nome de um retorno financeiro ou reconhecimento trocar a mensagem do evangelho.

Quando chegar o fim, muitos dos que se dizem pregadores e portadores das verdades eternas se verão face a face com o Senhor, e não poderão fugir àquilo que o próprio Mestre lhes dirá.

Entendo que não podermos fugir a nossa sina, anunciar o evangelho da cruz. O evangelho sem engodo, sem mistura. Como afirma Francis Schaeffer: “Acomodar-nos ao espírito reinante no mundo contemporâneo é a forma mais grotesca de mundanismo, no sentido mais pleno da palavra”.

Que Deus nos abençoe!

Sola Scriptura.

domingo, 21 de dezembro de 2008

IBADAR REALIZA FORMATURA

Eu estava lá quando ele preparou os céus; quando traçou o horizonte sobre a face do abismo, quando firmou as nuvens acima, quando fortificou as fontes do abismo, quando pôs ao mar o seu termo, para que as águas não desobedecessem à sua ordem, quando compôs os fundamentos da terra. Então eu estava com ele e era sua aluna (...)
Pv. 8.27- 30
A noite do dia 20 de dezembro será, com toda certeza, um marco divisor para os alunos formandos do Instituto Bíblico das Assembléias de Deus em Angra dos Reis. No auditório do Colégio Estadual Dr. Arthur Vargas, realizamos a formatura da turma Pr. João dos Santos Glória. Não se pode negar que foram momentos maravilhosos e inesquecíveis; desde o primeiro ato, composição da Mesa, até a diplomação.

O Senhor nos brindou com momentos mágicos. Os formandos entraram ao som do hino “Castelo Forte”, autoria de, nada mais que, Martinho Lutero (o grande reformador); em seguida, todos de pé, entoamos o nosso Hino Nacional Brasileiro, também ao som da Orquestra Eterno Louvor (Assembléia de Deus – Ministério Sul Fluminense). Depois se seguiram, a palavra do orador da turma, uma mensagem de consolo aos familiares do saudoso irmão Wilton Santos, que se formaria nesta data. Em seguida, mais um momento brilhante: as homenagens às três pessoas que se destacaram ao longo do ano, sob a ótica dos formandos e da direção do IBADAR: Pr. Profº Jorge Moraes, irmã Rosângela Rabha e Pr. João dos Santos Glória, que foi aplaudido de pé por cerca de 2 (dois) minutos. Foi, sem dúvida alguma, um momento áureo da formatura.

Em seguida foi feito o juramento pela turma de seguir fielmente os ideais de Cristo e lutar por uma teologia ortodoxa e não liberal. Após o juramento, houve um momento de louvor apresentado pela orquestra “Eterno Louvor” sob a regência do imponente servo de Deus, Pr. João Ramos. Foram cerca de 30 minutos de puro e verdadeiro louvor ao Senhor. Um preâmbulo para a mensagem.

Em seguida, o Pr. Profº Jorge Videira assumiu a tribuna para a ministração da Palavra do Senhor. Ministrou sob o texto de 2 Reis 5.1-13. O Pr. Jorge Videira dissecou o texto, falando sobre 12 acontecimentos na vida de Naamã que são de grande valia para o ministério. O teor de sua mensagem foi a aproximação do sagrado e o distanciamento de tudo que seja profano; a submissão incondicional à voz do Senhor em detrimento a qualquer outra ação. Foi o momento mais importante, mais esperado e mais aplaudido da formatura. Como o Senhor nos brindou com uma palavra maravilhosa!!!

Após a mensagem todos os presentes cantaram “Tu és fiel, Senhor”. Em seguida, coube ao Pr. Josias M. Ferreira, presidente da Assembléia de Deus – Ministério Sul Fluminense, expor suas palavras. Em seguida, sob a responsabilidade do Pr. Profº Luís Filipe Correa e do Pr. Profº Jorge Moraes, foi feita a entrega dos diplomas. Um momento maravilhoso e muito esperado.

Diante de todo o ocorrido e de uma formatura tão pomposa no auditório do CEAV, alguns pontos devem ser analisados e meditados:

a) O obreiro não deve se omitir diante da verdade bíblica e sagrada

Os novos formados em Teologia, assim como todos os obreiros, devem ter sempre em mente que a única verdade (não falo sobre verdades ou verdade relativa, falo sobre a única verdade) é aquela descrita na Palavra de Deus. Podemos expor os contraditórios sobre questões secundárias, tais como costumes de instituições, todavia, jamais sobre questões bíblicas.

Fomos chamados para sermos guardiões da Verdade e por ela lutarmos. Não podemos permitir calados, que os caracteres do pós-modernismo se infiltre nos meandros da ortodoxia e da ortopraxia, fazendo-nos escravos sem a verdade suprema.

b) A prática da verdade bíblica deve ser realidade em nossa vida

Não podemos ser apenas leitores e pregadores da verdade sagrada, mas precisamos ser muito mais que isso, precisamos ser praticantes da verdade bíblica. Como o Pr. Jorge Videira ministrou, “o verdadeiro homem de Deus não recebe nada de quem quer que seja, inclusive de políticos, sem saber a procedência”. É incrível a forma como os homens de Deus de hoje, não conseguem mais discernir entre ovelhas e eleitores, dizimistas e etc e tal.

Fomos chamados para sermos praticantes de toda verdade sagrada. A Bíblia é a inerrante palavra do Senhor, nossa bússola condutora. É por ela que devemos nos pautar em todas as questões, mesmo que seu direcionamento pareça estranho aos olhos da sociedade, nossa conduta deve ser direcionada pela Palavra do Senhor.

c) Somos obreiros em uma geração pós-moderna

E em última análise, precisamos entender que somos obreiros do pós-modernismo, ou seja, somos a geração que deve combater de forma clara, objetiva e firme, os postulados da pós-modernidade. A insegurança, a incerteza e a relatividade das questões, até então, absolutas são os alvos desse movimento demoníaco, no entanto, há uma geração de novos estudantes da Palavra de Deus que têm a convicção de que precisam trabalhar incansavelmente pela fé que uma vez foi dada aos santos.

Conclusão
Termino essa meditação, após os momentos mágicos da noite de ontem no auditório do CEAV, reafirmando que a Instituição de Ensino Teológico que, pela graça de Deus, dirijo caminhará sempre na direção da ortodoxia e da ortopraxia, lutando sempre contra quaisquer que se levantem contra o sagrado.
Sola Scriptura

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

SER PASTOR É...

Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrios, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos sob disciplina, com todo respeito, não neófito, para que não se ensoberbeça e caia na condenação do diabo. (1 Tm 3.1-6)




Introdução

O vocábulo “pastor” vem do hebraico “raah”, no grego “poimén” e no latim “pastor”. Todos esses vocábulos têm a conotação de dirigir, cuidar dos rebanhos de ovelhas. Champlin afirma que “no sentido literal, um 'pastor' é alguém que cuida do rebanho. Aparece pela primeira vez em Gênesis 4.2, a fim de descrever a ocupação de Abel”.

Depreende-se dessa definição literal do vocábulo pastor, que há uma associação firme entre o ser pastor no contexto de João 10, onde Jesus faz apologia daquele que é chamado para dirigir seu rebanho, com a semântica que envolve e dilacera esse vocábulo.

Há muitos textos na Bíblia em que se percebe uma apologia ao ministério pastoral. No entanto, em João 10, vê-se o próprio Cristo encarnado fazer uma admoestação àqueles que almejam o episcopado. Atentemos para algumas características do verdadeiro pastor:

a) Pode entrar legalmente no aprisco das ovelhas (Jo 10.1)

O pastor é aquele que tem livre acesso às ovelhas. Pode olhar no olho da ovelha. “Entrar pela porta” ou no aprisco tem a conotação de respeito, autoridade reconhecida. Ele não pula muro, não precisa deixar a noite chegar, muito pelo contrário, entra a qualquer hora, anda no meio das ovelhas com autoridade espiritual.

Ser pastor é entrar legalmente no aprisco, é apascentar, ou seja, cuidar, zelar, proteger e conduzir as ovelhas. É óbvio que não se deseja passar a idéia de que ovelha é como “vaca de presépio”, não; ovelha tem opinião própria, é ser inteligente; e por isso mesmo ser pastor é saber conviver com o contraditório.

b) O bom pastor instrui as suas ovelhas com a sua palavra e o seu exemplo, e as guia (Jo 10.7)

Instruir é muito mais que transferir conhecimento. Instruir pertence ao campo semântico abrangente de alguém que amadurece uma idéia, um conceito; que vê brotar, nascer e que acompanha seu crescimento. Instruir alguém na Palavra é conduzir através do conhecimento, da simplicidade, da graça, a ovelha à plena vida com Deus.

Diferentemente do corpo diaconal, o pastor tem o compromisso de viver uma vida de constante oração e estudo sistemático da Palavra (At 6.4). Pastor que não tem autoridade bíblica pode até ter credencial de pastor, mas não o é. O verdadeiro e maior compromisso e missão do ministério pastoral é instruir a ovelha no caminho certo através da ministração da Palavra.

Percebe-se ainda, nesse versículo 7, que a ortopraxia deve ser considerada. O pastor instrui também com o seu exemplo. O pastor deve ter uma vida ilibada, uma conduta séria, firme. O pastor não foi chamado para administrar a casa de Deus como se fosse uma empresa e dela tirar proveito próprio. Infelizmente é o que mais vemos nos dias pós-modernos! Homens que lutam para ter uma credencial de pastor a fim de fundarem uma igreja e agirem como uma empresa. Pastor deve ter vida séria.

c) O verdadeiro pastor é inteiramente devotado ao seu rebanho e dá a própria vida pelas suas ovelhas (Jo 10.11)

É claro que o texto faz menção direta ao ato expiatório de Cristo, onde “se entregou a si mesmo por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras” (Tt 2.14). Mas, fica evidente também, que ele “cutuca” o postulante ao ministério pastoral, pois esse deve ser inteiramente devotado às ovelhas; deve viver a vida das ovelhas, sofrer seu sofrimento, chorar seu choro.

Dentre muitas características que o pastor verdadeiro deve ter, uma que chama a minha atenção é a empatia. O pastor deve sentir o sentimento da ovelha, deve comungar com a ovelha. Isso é ser pastor. Há muitos, hoje na pós-modernidade, que não exercem o ministério pastoral, não pastoreiam, não conhecem as ovelhas, não visitam suas ovelhas, não vivenciam os problemas das ovelhas. Cristo, o Pastor maior, afirma categoricamente que o verdadeiro pastor dá sua vida pela ovelha. Não é isso que presenciamos hoje, muito pelo contrário!

“Dá a vida pela ovelha” tem a conotação muito mais abrangente que a literalidade. É padecer junto com a ovelha. O pastorado é um casamento, é uma só carne, um só pensamento, um só ideal. Costumo dizer em minhas aulas de Teologia Pastoral que o pastor é aquele que “como sapo e arrota camarão”. Chora e chora muito, mas aos pés do Senhor; diante das ovelhas, ele se apresenta como o ajudador, o que tem a palavra certa: a palavra de Deus.

d) O verdadeiro pastor garante a segurança do rebanho, tanto agora como para toda a eternidade (Jo 10.27-30)

A pós-modernidade, com suas incertezas plenas têm alavancado uma gama de pastores para esse caminho. O caminho da insegurança. Jesus foi claro e objetivo, afirmou que o verdadeiro pastor garante segurança às ovelhas. A segurança do pastor deve está na ortodoxia de sua mensagem, no conteúdo firme e sólido da exposição bíblica, e na ortopraxia de sua vida; sua conduta ilibada. Há uma mensagem segura, firme e sólida de vida eterna e salvação em Cristo que o inimigo maior que não se pregue, mas que o pastor deve anunciar, pois é esta mensagem que traz segurança às ovelhas.

Diante do exposto acima, não se pode negar que não existe bem maior nesse mundo do que ser chamado e vocacionado para o santo ministério pastoral. Não há honra maior do que ser pastor. É nítido que muitos, com suas atitudes mesquinhas, menosprezam e tentam diminuir a grandeza desse ministério, mas além de não conseguirem, vão receber do verdadeiro e sumo pastor suas devidas recompensas.

Não posso terminar esse artigo sem citar mais uma vez o Dr. Champlin: “Todas essas características fazem violento contraste com os falsos pastores, que são indivíduos totalmente egoístas e perversos, e que, na realidade, não podem oferecer qualquer dessas vantagens e bênçãos ao rebanho de Deus. Por conseguinte, é dito aqui que o verdadeiro pastor, que é Cristo, entra pela porta, isto é, pelos canais espirituais competentes, enquanto não tem necessidade de iludir, posto que todos os seus propósitos são benévolos”.

Destarte, façamos reflexões profundas e, caso necessário, mudemos nosso comportamento ante o ministério grandioso que nos foi confiado.

Sola Scriptura.