Senhor, ajude-nos a cairmos sempre prostrados aos seus pés em sinal de constrangimento, submissão e amor!



domingo, 5 de abril de 2009

PORQUE EU ACREDITO EM JESUS

Confesso que muitas vezes me pego pensando e meditando aleatoriamente... e nessas viagens, muitas vezes sinto minhas convicções, muito bem plantadas em meu coração a cerca dos eventos futuros, serem sacudidas; abaladas de tal forma que preciso me refazer para não acontecer comigo o que aconteceu com o salmista Asafe (Sl 73).

Sei, perfeitamente, que é loucura acreditar no espiritual; no entanto, o próprio Paulo quando foi ter com os de corintos também não foi em palavras de doutos, mas levando a mensagem da loucura da cruz. É de se entender que o cristianismo, o evangelicalismo possui nas loucuras da cruz a sua base sólida.

Ao perceber a forma como o cristianismo de muitos se desenvolve, passo a indagar sobre a verdadeira conduta do autêntico servo do Senhor. Não há como mesclar espiritualidade sadia com uma práxis não condizente com tal espiritualidade.

Muitos vivem uma história de cristianismo completamente antagônica à descrita nos evangelhos. Isso me faz lembrar duma resposta dada por Gandhe a respeito do cristianismo: “Acredito na mensagem do Cristo, mas não no cristianismo da igreja”. É de nos deixar arrepiados, quando um ímpio confessa que o cristianismo da igreja não é condizente com a proposta do Cristo.

Acredito em Jesus, independente de qualquer ações ou teorias:

a) Jesus está muito acima dos dogmas.

Penso que é de suma importância os dogmas de uma instituição, mesmo sendo evangélica. Penso que também constituem marcas históricas, por conseguinte, devem ser preservadas por nossa geração. No entanto, acredito piamente que a proposta de Jesus – as doutrinas bíblicas – está acima dos dogmas. Não podemos nos prender aos dogmas e coloca-los acima de tudo, inclusive da doutrina.

A doutrina apresentada por Jesus é o caminho mais curto entre o homem e o seu Senhor. Seguir as doutrinas de Jesus incondicionalmente é cumprir e fazer cumprir os ideais da Palavra do Senhor. Enquanto os dogmas, muitas vezes, nos aliena, a doutrina de Cristo nos coloca à luz da realidade histórica.

b) Jesus está acima dos pressupostos teológicos.

Acredito no estudo sistemático da teologia, e acredito na teologia como a ciência que visa ao estudo de Deus e seus atributos. Sou um amante do estudo sistemático, do pensar livre e do contraditório. No entanto, penso que a doutrina prescrita na Palavra do Senhor é mais que suficiente.

Aprendi que aonde a Palavra não pode ir (e não há lugar que ela não possa ir), não será o homem com seus estudos sistemáticos e profundos que conseguirá ir. Portanto, defendo a tese de que não precisamos depreender idéias daquilo que claro e evidente quanto à sã doutrina. Os pressupostos teológicos são para debates acadêmicos, mas não devem nortear a conduta de fé. A crença em Jesus é mais que suficiente para nos fazer ultrapassar todos os limites e alcançarmos aquilo que o Senhor nos propôs.

A minha conclusão é concisa: acredito que mais do que nunca precisamos confiar em Jesus e entregarmos nossos caminhos a Ele, pois Ele é fiel e justo para nos fazer descansar.

Soa Scriptura.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

E AGORA... AS CINZAS

Mas porque com este feito deste lugar a que os inimigos do Senhor blasfemem, o filho que te nasceu morrerá. 2 Sm 12.14
.
Deixando de lado a questão histórico-religiosa que envolve todo o processo carnavalesco, o fato é que estamos na chamada “quarta-feira de cinzas”. Um período em que os foliões (nem todos, é óbvio) estão se recuperando dos festejos que levaram o corpo ao êxtase nos últimos quatro dias.

É o dia de juntar as cinzas do que se restou; ajuntar os cacos, como dizia minha avó. É o dia de se deitar e relaxar, relaxar e relaxar. Amanhã é um outro dia... e a vida continua: trabalho, casa, escola...

Mas é também para a Igreja Santa um dia de se pensar sobre recomeço. Entendo que estamos necessitados de um mover do Espírito que nos leve a uma introspecção tal que nos conduza a reflexões profundas sobre nossa conduta diante do mundo e da sociedade.

a) Urge a necessidade de juntar os cacos

Algumas indagações devem ser feitas: O que fizemos nos transcorrer desse ano? E nesse período de carnaval? Como temos nos comportado diante da sociedade carente pelo Evangelho de Jesus?

É preciso juntar os cacos do que sobrou. É interessante observar que se ainda há cacos, há alguma coisa para apresentarmos ao Senhor. À semelhança do que falou o Senhor a Jó: “Pelo menos há esperança para a árvore: Se for cortada ainda se renovará, e não cessarão seus renovos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e morrer o seu tronco no pó, ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como planta.” (Jó 14.7-9).

Ainda estamos perto das águas que alimentam e saciam a sede! Juntemos os cacos e apresentemos ao Senhor, pois Ele é capaz de nos apresentar o caminho do sucesso e da grandeza espiritual.

b) Urge a necessidade de orar

A Igreja precisa orar mais. Temos a necessidade ímpar de vivermos uma vida de oração. Sei, perfeitamente, que oro menos do que orava e muito menos do que devia, mas hoje estou sendo tocado pelo Senhor a voltar a ter uma vida de oração mais vívida. A oração, na linguagem de Caio Fábio, é “mente que tagarela com Deus”. É a relação íntima entre dois seres. Orar é necessidade imediata da Igreja.

Penso que é de suma importância a oração congregacional, além de genuinamente bíblica, mas estou me referindo à oração individual, aquela sobre a qual o próprio Senhor Jesus falou, “entra, feche a porta do seu quarto e o Senhor que te vê em oculto te recompensará” (Mt 6.6). Não resta dúvida de que essa postura é uma necessidade mais que urgente da Santa Igreja do Senhor nos dias atuais.

c) Urge a necessidade de rever seus conceitos

Precisamos rever nossa conduta enquanto servos e representantes do Reino. Qual tem sido nossa prática diária? Temos dado o exemplo desejado pelo Senhor?

Quantos equívocos cometemos, mesmo com a intenção de fazermos o correto. Muitas vezes ferimos nossos irmãos no afã de lutarmos pela verdade (ou suposta verdade). Esse é o momento que o Senhor nos tem dado para a ortopraxia.

Bom, nessa reflexão pós carnaval, meu desejo é que nós, enquanto Igreja do Senhor, logo, portadora do baluarte da verdade sagrada, conduzamo-nos pelo caminho da reflexão e do amor.

Sola scriptura

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O QUE ESPERO DA ASSEMBLEIA DE DEUS

Dei meus primeiros passos na fé em uma Igreja Batista. Foram momentos mágicos, dos quais me lembro até o dia de hoje. Adorava quando minha avó me levava aos domingos para participar da Escola Bíblica Dominical na Primeira Igreja Batista de Angra dos Reis. Após o ensino nas classes, íamos para o templo ouvir as maravilhosas e profundas mensagens proferidas pelo pastor da igreja, Pr. Manoel Luís Sobrinho - homem de uma capacidade e envergadura invejáveis.

No entanto, após alguns anos, fui com meus pais para a Assembleia de Deus, igreja que aprendi amar e trabalhar para o Senhor. Aqui gastei minha adolescência e juventude; vivi quase toda minha vida, ingressei no Seminário e no Santo Ministério. Aprendi que devemos dar frutos onde Deus nos planta, e acredito fervorosamente que o Senhor me plantou na Assembleia de Deus para aqui servi-lo com todo meu coração.

Não posso negar, portanto, que a Assembleia de Deus tem se moldado aos parâmetros atuais e, com essa postura, se distanciado de alguns marcos antigos. Não quero entrar no mérito dessa questão, mas posso afirmar que essa postura tem trazido alguns retrocessos, embora alguns queiram avistar somente os avanços.

Tudo bem, o fato é que estamos às portas de uma Convenção - 20 a 24 de abril de 2009, no Pavilhão de exposições de Carapina, Vitória/ES - que se diferencia das anteriores por duas razões fundamentais: primeira, elegeremos a nova Mesa Diretora para os próximos quatro (e não, dois) anos; e, segunda, essa nova Mesa conduzirá as Assembleias de Deus nos festejos do seu centenário. Isso tem feito com que muitos assembleianos amantes da instituição lancem nos blogs e meios de comunicação, seus sonhos e almejos das Assembleias de Deus.

Não poderia deixar de expor meus desejos. Ei-los, ao menos alguns:

a) Que saiamos dessa Convenção unidos. Confesso que tenho orado muito pelo futuro de nossa Convenção após as eleições no dia 23 de abril do corrente ano.

b) Que a nova Mesa e os que comporão os cargos de todos os escalões sejam verdadeiros homens de Deus, compromissados com os ideais de Cristo e o modelo de igreja assembleiana.

c) Que haja uma luta incansável para que as Assembleias de Deus tenha uma “cara”. Sei da dificuldade, por termos uma Convenção de Ministros, em que não há gerência nas Igrejas, mas que se tenha iniciativa de apresentar uma Assembleia de Deus unida em sua Doutrina.

d) Que uma minoria não decida a “regra do jogo”. Espero que as Assembleias de Deus faça as eleições em um dia determinado, mas que as urnas estejam espalhadas pelas Convenções Regionais e Estaduais. Não preciso ir a Vitória votar, poderia votar na sede de minha convenção regional, a CONFADERJ, por exemplo. Um Ministro do interior do Piauí, por exemplo, não precisaria vir a Vitória, antes votaria na sede de sua convenção regional, enfim. Com certeza, teríamos muito mais Ministros participando do processo eleitoral e a Mesa sairia com mais autoridade.

e) Que as Assembleias de Deus pense e repense sobre a busca incansável de se obter um canal de televisão. Penso que mais importante que isso, é a manutenção de uma agenda educacional e social. Poderíamos ter um Hospital Assembleiano, um Colégio Assembleiano, um Asilo Assembleiano, etc. Quanto ao canal de televisão; deveríamos investir na evangelização utilizando a mídia, mas não há necessidade de se obter um canal. Até porque, o canal de televisão pertencerá à Assembleia de Deus, mas ficará no nome de quem?

f) Que as Assembleias de Deus não seja vista como uma empresa ou um pequeno feudo. Que a ideia (que já faz parte da prática) da hereditariedade desapareça.

g) Que haja um pensamento de se emancipar igrejas com condições de se manter. É de puro mal gosto o que vemos em nossa querida denominação; Presidentes se fartando enquanto um incontável números de fiéis trabalhadores são escravizados.

É isso que espero da minha querida Assembleia de Deus. Sou um Ministro Assembleiano, e aprendi amar minha denominação, mas entendo que ainda estamos muito aquém daquilo que o Senhor determinou para nós.

Sola Scriptura.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

DEUS É ALTAMENTE SOBERANO (PARTE II)

“O apóstolo Paulo estava decidido a levar o evangelho a qualquer lugar, mas não
estava pronto a pregar um outro evangelho; ninguém seria capaz
de torná-lo disposto a isso. Paulo não estava disposto a camuflar,
amenizar, abreviar ou ampliar o evangelho.”
C. H. Spurgeon
.
Dando continuidade ao artigo anterior, onde foi discutido a tese da soberania de Deus, por entendimento subjetivo de que se trata de uma doutrina bíblica e histórica, é importante salientar que se trata de um assunto abrangente, instigante e, no mínimo, com margens a múltiplos entendimentos. O que se pretende aqui não é o seu esgotamento – o que seria muita pretensão -, mas expor, de forma bíblica, aquilo que norteia meus pressupostos doutrinários e teológicos.

b) Ele é soberano em Sua mensagem

Foi proposital a citação do “Príncipe dos pregadores” - C. H. Spurgeon -, não somente porque se trata de um autêntico servo do Senhor, mas pela clareza como resume a relação do apóstolo com seu chamado evangelístico e missionário.

Paulo foi o homem que, talvez, mais entendeu a profundidade e virgindade do evangelho de Jesus. Sabia que seu papel na história era o de anunciar, proclamar a todos a respeito do Senhor, e o fazia com tamanha intensidade!

O evangelho do Senhor é o evangelho capaz, é a mensagem completa. Lembro-me, ainda quando criança, de que um pastor em seu sermão afirmava que onde a Bíblia não podia entrar (e não há lugar em que ela não possa entrar), homem algum entraria. É interessante que essa afirmativa fincou em meu coração de forma que jamais a pude tirá-la. Hoje entendo perfeitamente o que esse pastor quis dizer com tal afirmação. O Evangelho é a mensagem completa do Senhor Jesus Cristo; e Cristo é altamente soberano em sua mensagem, por isso, não há necessidade alguma de alguém enxertar ou temperar essa mensagem para conseguir êxito em seu sermão.

A mensagem do Senhor explícita em sua palavra é o todo de Deus para a humanidade; é o completo de Deus para nós. Acredito piamente na autorevelação de Deus aos seus servos. Aconteceu assim no passado. Mas, entendo que tudo aquilo que o Senhor desejou para seu povo como doutrina, princípio está na Bíblia Sagrada; e está exatamente por que Ele é altamente suficiente e soberano em sua mensagem. Não há uma mensagem que seja de Deus e, ao mesmo tempo, seja passiva de um complemento. Acredito em um Deus completo, soberano.

c) Ele é soberano em Si

O evangelista João assim assevera:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Filho Um unigênito, para que todos aqueles que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. (Jo 3.16)

Esse texto, além de ser um texto muito lido nas igrejas e de particular interesse por parte de muitos irmãos, tem uma relação profunda com a imanência de Deus e, por si só, é capaz de aprofundar o assunto em questão: A soberania de Deus em Si mesmo.

O maior dos sentimentos, pelos quais muitos deram suas vidas; escreveram um incontável número de romances, poesias, etc; firmaram uma forma íntima de viver; entregaram-se, entregaram e foram entregues; enfim; aqui é simplesmente um sentimento que nasce no coração de Deus; um sentimento que explode no coração de Deus. Deus é o agente. É o que tem as rédeas da situação.

O amor é um substantivo abstrato, ou seja, só existe dentro de uma existência. A linguística define algo abstrato como sendo tudo aquilo que não possui existência própria, por isso, necessita de uma existência anterior para existir. O amor passa a existir na existência de Deus. É Deus o primeiro Ser que permite sentir esse sentimento profundo, o qual dá o nome de amor. Que lindo! Ele é soberano em Si, na sua própria existência. Ele pratica a ação de amar sem que houvesse ainda o amor. O verbo precede o substantivo. Ele verbariza, Ele age, Ele é.

Depois, percebe-se que esse amor que nasce em sua existência explode em seu coração não de uma forma aleatória, mas objetiva. Ele ama e seu amor tem um objeto - a humanidade. Aqui, precisamos parar e pensar um pouco. A Teologia Marginal prega que Deus é o objeto de nossa adoração e de nosso amor. Isso pode até soar bem aos nossos ouvidos, mas fere a soberania de Deus. Na verdade, nós é que somos objetos do amor de Deus. Deus amou o mundo. É ele quem ama primeiro; e o objeto de seu amor é a humanidade.

Então quer dizer que não amamos a Deus? Não é isso que digo. Acredito que amamos a Deus sim, mas não como causa. Não amamos a Deus primeiro, muito pelo contrário. Amamos a Deus como consequência. Primeiro Ele nos amou.

Ele é soberano em si; Deus não precisa de nada para ser o que é. Ele simplesmente é; e o é por excelência.

Não estou na igreja para ser salvo; não sou fiel a Deus para ser salvo; não dizimo para ser salvo; não faço nada para ser salvo. Não. Sou salvo em Cristo por graça e por causa disso é que estou na igreja, sou fiel a Deus, dizimo e faço o que faço. Há uma grande diferença aqui.

Ele é soberano em Si.

Sola Scriptura

sábado, 24 de janeiro de 2009

DEUS É ALTAMENTE SOBERANO

“Vede, agora, que eu, eu o sou, e mais nenhum deus comigo; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e ninguém há que escape da minha mão. Porque levantarei a minha mão aos céus e direi: Eu vivo para sempre. Se eu afiar a minha espada reluzente e travar do juízo a minha mão, farei tornar a vingança sobre os meus adversários e recompensarei os meus aborrecedores.” Dt 32.39-41
.
No momento em que me preparo para redigir esse artigo reflexivo, vem a minha mente um episódio que marcou minha estada no Seminário Teológico. Tínhamos aulas memoráveis, e numa delas, Teologia Sistemática, discutíamos sobre o processo salvífico. Meu professor, Pr. Cláudio Rogério dos Santos, foi seguro, objetivo e claro: “Não há salvação fora do sangue de Jesus”.

Lembro-me, também, que havia uma febre no Seminário. Quase todos os seminaristas liam o livro “O fator Melquisedeque”, Millard Erickson, Editora Vida Nova (inclusive, indico a leitura). Esse livro trata do mundo preparado para receber o Messias. Narra fatos históricos que, na mente do autor, eram caracteres visíveis de que havia uma manifestação divina para todos os povos, incluindo aqueles que não tiveram contato com o evangelho.

Com base nas informações do livro de Erickson, um colega perguntou ao Pr. Cláudio, professor de Teologia Sistemática: “Se não há salvação fora do sangue de Jesus e, se muitos não tiveram oportunidade de contato com a mensagem do evangelho, como chegam à salvação? Isso não seria calvinismo?” Ao que o professor respondeu: “
Você pode até pensar que é calvinismo, mas continuo afirmando que não há salvação fora do sangue de Jesus”.

Meus pressupostos teológicos primam pelo que é bíblico e histórico. Destarte, não posso nem devo, por questão de bom senso, ir contra os princípios que norteiam meus pensamentos teológicos. Ainda que alguns me tenham como reformado, calvinista ou similar, sempre pautarei minhas idéias pelo que entendo ser bíblico e histórico.

À semelhança do meu professor, também não entendo salvação fora do sangue de Jesus. Acredito piamente que o conhecimento no poder de salvação existente no sangue de Jesus, que leva o homem a invocar o nome do Senhor (Rm 10.13), é a expressão maior da salvação. É interessante que “isso não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).

Acredito na soberania incondicional do Senhor. Sou um cristão professo, autêntico e conhecedor das limitações humanas. Por tudo isso, acredito e aceito a soberania do Senhor.


a) Ele é soberano em suas ações

Há, nitidamente, no cântico de Moisés (Dt 32) a intervenção de Deus na história de seu povo, eliminando as nações pagãs e dissipando seus deuses. O próprio Deus de Moisés se autoengrandece pelos seus feitos. Quando Moisés e Israel olham para a história percebem que Deus fez o que fez simples e puramente porque quis fazê-lo. Não se percebe nas linhas históricas e doutrinárias nenhuma resistência sobre essa questão.

Hoje, parece que com o advento da “Teologia Marginal”, aquela que pressupõe o homem como criador e Deus como criatura; aquela que atribui ao homem direito sobre Deus; aquela que leva o homem a colocar Deus no paredão e, tal qual Pedro (Mt 16.22), repreende-lo, dizendo: “Se não me der isso ou aquilo, deixo de te seguir”; o homem passou a indagar a soberania de Deus. É clara e evidente a noção de um Deus que não seja soberano em suas ações, mas que precisa pedir autorização ao homem para realizar o que quer, porque se Ele fizer o que quer e isso ferir os padrões éticos e morais que permeiam o arcabouço intelectual do homem, não se está diante de um Deus genuinamente bom e bíblico.

Parece-me genuinamente bíblico aceitar um Deus altamente soberano, que esteja acima de meus pressupostos e, até mesmo, de minhas adequadas justiças. Sobre nossa justiça, Paulo afirma que “a loucura de Deus é mais sábia que os homens” (1 Co 1.25). Não há como aceitar um Deus pela metade. O grande problema hoje é adequar um Deus àquilo que se é conveniente. Mas o Deus da bíblia e da história não é um Deus que se permite adequar; não é um Deus passivo, muito pelo contrário. Acredito num Deus que tem as rédeas da situação, que controla todas as coisas e que é soberano em tudo que faz.

Partindo dessa premissa básica, entendo que o processo de salvação é cristocêntrico, ou seja, começa nEle, se desenvolve nEle e termina nEle. Nesse processo, o homem é passivo. O homem é atingido pelo poder de salvação existente no sangue dEle e, daí então, clama pelo Senhor.

Louvado seja o Senhor porque nos fez ovelhas de seu pasto e pelo fato de ser soberano em suas ações.


Que Deus nos abençoe.

Sola Scriptura.

sábado, 27 de dezembro de 2008

EU ACREDITO NO EVANGELHO DA CRUZ

“Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: Os profetas profetizam falsamente, os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles, e o meu povo assim o deseja. Mas o que fareis quando chegar o fim?”
Jr 5.30,32
A Igreja mística de Jesus não tem outra mensagem a pregar, outra atitude que não seja anunciar o evangelho da cruz. Sem sombra de dúvida, esta é a sina da Igreja. O evangelho completo ao homem completo; o evangelho todo a todo homem.

Quando Jesus disse que “as portas do inferno não prevalecerão contra minha igreja” (Mt 16.18), com toda certeza, estava profetizando sobre o processo de morte e ressurreição – caracteres visíveis e cruciais na teologia da salvação -, e sobre as arrebatadoras lutas e entraves, pelas quais sua Igreja passaria.

As artimanhas do adversário maior, na tentativa de impedir o avanço acelerado da Igreja ao longo da história, foram enormes e crescentes. Essas tentativas sempre passaram pela luta incansável em distanciar o evangelho da cruz. Quando a cruz sempre foi símbolo e marca no evangelho puro e sadio de Cristo, o diabo luta para ofuscar esse brilho. No mesmo texto de Mt. 16.13-23, Jesus assevera acerca de sua ida a Jerusalém, sofrer, padecer e morrer a fim de ressuscitar. A cruz estava nos planos de Deus já desde o princípio, como afirma o apóstolo Paulo em Fl 2.8: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

a) Os modernistas dos dias de Spurgeon

Charles Haddon Spurgeon (1834-92) foi o mais conhecido pregador da Inglaterra pela maior parte da segunda metade do século dezenove. Em 1854, apenas quatro anos após sua conversão, Spurgeon, então com apenas vinte anos, se tornou pastor da famosa Igreja Batista de New Park Street em Londres (anteriormente pastoreada pelo grande teólogo John Gill). A congregação rapidamente cresceu mais do que seu prédio poderia comportar, mudando-se então para o Exeter Hall, e de lá para o Surrey Music Hall. Nestes locais Spurgeon freqüentemente pregou para audiências com mais de 10.000 pessoas - e tudo isto em dias anteriores ao advento da amplificação eletrônica. Em 1861 a congregação se mudou definitivamente para o recém construído Tabernáculo Metropolitano.

Spurgeon foi um exímio pregador que confrontava o evangelho da cruz. Não aceitava que qualquer tipo de mensagem ferisse o cerne do evangelho – a mensagem da cruz. Sobre a adaptação da mensagem ao moderno de sua época, ele salientou:

“A idéia de um evangelho progressista parece ter fascinado a muitos. Para nós, essa idéia é uma espécie de híbrido de tolice com blasfêmia. Depois do evangelho ter se mostrado eficaz na salvação eterna de incontáveis multidões, parece tarde para querer muda-lo; e, visto que ele é a revelação de um Deus todo-sábio e imutável, parece um tanto audacioso tentar aprimora-lo. Quando trazemos à memória os cavalheiros que se propuseram a essa tarefa presunçosa, sentimo-nos bastante inclinados a rir; é como a proposta de toupeiras para melhorar a luz do sol...”

Spurgeon com sua mensagem sólida, revolucionou a segunda metade do século XIX. Levou até as últimas conseqüências, mas não usurpou, trocou ou barganhou com o evangelho da cruz.

b) O pragmatismo moderno

Hoje, estamos diante do pragmatismo, dos métodos folosóficos, sociológicos, etc e tal para se fazer a igreja crescer. Tentam adequar a mensagem do evangelho ao público. Não pode ser uma mensagem que fira os ouvidos, que cause dor ou algo parecido. Algumas igrejas hoje mais parecem auditórios repletos de pessoas desejosas para ouvirem exatamente aquilo que o pregador vai falar. Isto se dá pelo fato do pregador falar exatamente aquilo que o auditório deseja ouvir. O evangelho da cruz é diferente. Aqui o pregador fala o que o auditório precisa ouvir; necessita ouvir.

Sobre contextualizar a mensagem, ou seja, amoldar o evangelho àquilo que o público deseja ouvir, afirmou, acertadamente, John F. MacArthr Jr.:

“ (...) Em contraste, a ‘contextualização’ do evangelho em nossos dias infectou a igreja com o espírito desta época. Escancarou as portas da igreja para o mundanismo, para a superficialidade e, em alguns casos, para uma grotesca atmosfera de festividade. Agora é o mundo que dita a agenda da igreja.”

Pode até ser difícil, mas a batalha está travada. Como asseverou o profeta Jeremias: “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra.” Não se trata de estratagemas para uma terceira guerra mundial ou algo de maior (sob a ótica humana) gravidade, não. É a união dos profetas e sacerdotes, sob a liderança do adversário maior para ludibriar o povo com um evangelho barato, sem cruz.

Acredito no evangelho da cruz por que:

1) É o evangelho bíblico

Paulo fala aos corintos: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Pois nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.1,2). O evangelho da cruz foi sempre a mensagem de Paulo. Nunca o apóstolo adequou o evangelho para acomodar a quem tivesse ouvindo. Para Paulo o evangelho sempre foi o evangelho da cruz, com suas marcas próprias.

Ainda que alguns hoje tentem amordaçar o evangelho, amenizar sua mensagem, contextualizar sua doutrina, o evangelho da cruz sempre apontará o pecado, contrastará o erro e mostrará o verdadeiro caminho (At. 4.12). O evangelho da cruz traz prejuízos a todos que queiram usufruir de forma ilícita. Ninguém ganhou com o evangelho, muito pelo contrário.

Às vezes me pego pensando: se o apóstolo Paulo (ou qualquer outro apóstolo) vivesse em nossos dias...

2) É o evangelho que não aceita barganha

“Os profetas profetizam falsamente, os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles, e o meu povo assim o deseja”.

Que coisa horrorosa! Mas é o que se presencia nos dias atuais, nos dias do pragmatismo. Pastores cedendo os púlpitos para que pregadores preguem exatamente aquilo que os pastores desejam ouvir. Os ouvintes gritam, sapateiam, esperneiam, tudo em nome de um poder que não sei de onde vem. Vivemos a máxima: “Ele finge que prega, a gente finge que entende.” Paulo na sua carta pastoral, admoestou Timóteo, dizendo “... porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo coceira nos ouvidos, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças...” (2 Tm 4.3). É exatamente isso que presenciamos nos dias atuais. Pregação sem cruz; mensagem que faz cócegas aos ouvidos e satisfazem plausivelmente os ouvintes.

Há uma verdadeira barganha com o evangelho. Estão barateando a graça preciosa do Senhor.

3) É o evangelho da prestação de contas

“Mas o que fareis quando chegar o fim?”

O evangelho da cruz é o evangelho do caminho do Senhor. Paulo fala aos Cotintios sobre suas dificuldades (2 Cor 11). Caso o caminho do Senhor nos leve ao enfrentamento, à solidão, nada pode nos impedir de pregar o evangelho puro, o evangelho da cruz. Não podemos, em nome de um retorno financeiro ou reconhecimento trocar a mensagem do evangelho.

Quando chegar o fim, muitos dos que se dizem pregadores e portadores das verdades eternas se verão face a face com o Senhor, e não poderão fugir àquilo que o próprio Mestre lhes dirá.

Entendo que não podermos fugir a nossa sina, anunciar o evangelho da cruz. O evangelho sem engodo, sem mistura. Como afirma Francis Schaeffer: “Acomodar-nos ao espírito reinante no mundo contemporâneo é a forma mais grotesca de mundanismo, no sentido mais pleno da palavra”.

Que Deus nos abençoe!

Sola Scriptura.

domingo, 21 de dezembro de 2008

IBADAR REALIZA FORMATURA

Eu estava lá quando ele preparou os céus; quando traçou o horizonte sobre a face do abismo, quando firmou as nuvens acima, quando fortificou as fontes do abismo, quando pôs ao mar o seu termo, para que as águas não desobedecessem à sua ordem, quando compôs os fundamentos da terra. Então eu estava com ele e era sua aluna (...)
Pv. 8.27- 30
A noite do dia 20 de dezembro será, com toda certeza, um marco divisor para os alunos formandos do Instituto Bíblico das Assembléias de Deus em Angra dos Reis. No auditório do Colégio Estadual Dr. Arthur Vargas, realizamos a formatura da turma Pr. João dos Santos Glória. Não se pode negar que foram momentos maravilhosos e inesquecíveis; desde o primeiro ato, composição da Mesa, até a diplomação.

O Senhor nos brindou com momentos mágicos. Os formandos entraram ao som do hino “Castelo Forte”, autoria de, nada mais que, Martinho Lutero (o grande reformador); em seguida, todos de pé, entoamos o nosso Hino Nacional Brasileiro, também ao som da Orquestra Eterno Louvor (Assembléia de Deus – Ministério Sul Fluminense). Depois se seguiram, a palavra do orador da turma, uma mensagem de consolo aos familiares do saudoso irmão Wilton Santos, que se formaria nesta data. Em seguida, mais um momento brilhante: as homenagens às três pessoas que se destacaram ao longo do ano, sob a ótica dos formandos e da direção do IBADAR: Pr. Profº Jorge Moraes, irmã Rosângela Rabha e Pr. João dos Santos Glória, que foi aplaudido de pé por cerca de 2 (dois) minutos. Foi, sem dúvida alguma, um momento áureo da formatura.

Em seguida foi feito o juramento pela turma de seguir fielmente os ideais de Cristo e lutar por uma teologia ortodoxa e não liberal. Após o juramento, houve um momento de louvor apresentado pela orquestra “Eterno Louvor” sob a regência do imponente servo de Deus, Pr. João Ramos. Foram cerca de 30 minutos de puro e verdadeiro louvor ao Senhor. Um preâmbulo para a mensagem.

Em seguida, o Pr. Profº Jorge Videira assumiu a tribuna para a ministração da Palavra do Senhor. Ministrou sob o texto de 2 Reis 5.1-13. O Pr. Jorge Videira dissecou o texto, falando sobre 12 acontecimentos na vida de Naamã que são de grande valia para o ministério. O teor de sua mensagem foi a aproximação do sagrado e o distanciamento de tudo que seja profano; a submissão incondicional à voz do Senhor em detrimento a qualquer outra ação. Foi o momento mais importante, mais esperado e mais aplaudido da formatura. Como o Senhor nos brindou com uma palavra maravilhosa!!!

Após a mensagem todos os presentes cantaram “Tu és fiel, Senhor”. Em seguida, coube ao Pr. Josias M. Ferreira, presidente da Assembléia de Deus – Ministério Sul Fluminense, expor suas palavras. Em seguida, sob a responsabilidade do Pr. Profº Luís Filipe Correa e do Pr. Profº Jorge Moraes, foi feita a entrega dos diplomas. Um momento maravilhoso e muito esperado.

Diante de todo o ocorrido e de uma formatura tão pomposa no auditório do CEAV, alguns pontos devem ser analisados e meditados:

a) O obreiro não deve se omitir diante da verdade bíblica e sagrada

Os novos formados em Teologia, assim como todos os obreiros, devem ter sempre em mente que a única verdade (não falo sobre verdades ou verdade relativa, falo sobre a única verdade) é aquela descrita na Palavra de Deus. Podemos expor os contraditórios sobre questões secundárias, tais como costumes de instituições, todavia, jamais sobre questões bíblicas.

Fomos chamados para sermos guardiões da Verdade e por ela lutarmos. Não podemos permitir calados, que os caracteres do pós-modernismo se infiltre nos meandros da ortodoxia e da ortopraxia, fazendo-nos escravos sem a verdade suprema.

b) A prática da verdade bíblica deve ser realidade em nossa vida

Não podemos ser apenas leitores e pregadores da verdade sagrada, mas precisamos ser muito mais que isso, precisamos ser praticantes da verdade bíblica. Como o Pr. Jorge Videira ministrou, “o verdadeiro homem de Deus não recebe nada de quem quer que seja, inclusive de políticos, sem saber a procedência”. É incrível a forma como os homens de Deus de hoje, não conseguem mais discernir entre ovelhas e eleitores, dizimistas e etc e tal.

Fomos chamados para sermos praticantes de toda verdade sagrada. A Bíblia é a inerrante palavra do Senhor, nossa bússola condutora. É por ela que devemos nos pautar em todas as questões, mesmo que seu direcionamento pareça estranho aos olhos da sociedade, nossa conduta deve ser direcionada pela Palavra do Senhor.

c) Somos obreiros em uma geração pós-moderna

E em última análise, precisamos entender que somos obreiros do pós-modernismo, ou seja, somos a geração que deve combater de forma clara, objetiva e firme, os postulados da pós-modernidade. A insegurança, a incerteza e a relatividade das questões, até então, absolutas são os alvos desse movimento demoníaco, no entanto, há uma geração de novos estudantes da Palavra de Deus que têm a convicção de que precisam trabalhar incansavelmente pela fé que uma vez foi dada aos santos.

Conclusão
Termino essa meditação, após os momentos mágicos da noite de ontem no auditório do CEAV, reafirmando que a Instituição de Ensino Teológico que, pela graça de Deus, dirijo caminhará sempre na direção da ortodoxia e da ortopraxia, lutando sempre contra quaisquer que se levantem contra o sagrado.
Sola Scriptura

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

SER PASTOR É...

Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrios, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos sob disciplina, com todo respeito, não neófito, para que não se ensoberbeça e caia na condenação do diabo. (1 Tm 3.1-6)




Introdução

O vocábulo “pastor” vem do hebraico “raah”, no grego “poimén” e no latim “pastor”. Todos esses vocábulos têm a conotação de dirigir, cuidar dos rebanhos de ovelhas. Champlin afirma que “no sentido literal, um 'pastor' é alguém que cuida do rebanho. Aparece pela primeira vez em Gênesis 4.2, a fim de descrever a ocupação de Abel”.

Depreende-se dessa definição literal do vocábulo pastor, que há uma associação firme entre o ser pastor no contexto de João 10, onde Jesus faz apologia daquele que é chamado para dirigir seu rebanho, com a semântica que envolve e dilacera esse vocábulo.

Há muitos textos na Bíblia em que se percebe uma apologia ao ministério pastoral. No entanto, em João 10, vê-se o próprio Cristo encarnado fazer uma admoestação àqueles que almejam o episcopado. Atentemos para algumas características do verdadeiro pastor:

a) Pode entrar legalmente no aprisco das ovelhas (Jo 10.1)

O pastor é aquele que tem livre acesso às ovelhas. Pode olhar no olho da ovelha. “Entrar pela porta” ou no aprisco tem a conotação de respeito, autoridade reconhecida. Ele não pula muro, não precisa deixar a noite chegar, muito pelo contrário, entra a qualquer hora, anda no meio das ovelhas com autoridade espiritual.

Ser pastor é entrar legalmente no aprisco, é apascentar, ou seja, cuidar, zelar, proteger e conduzir as ovelhas. É óbvio que não se deseja passar a idéia de que ovelha é como “vaca de presépio”, não; ovelha tem opinião própria, é ser inteligente; e por isso mesmo ser pastor é saber conviver com o contraditório.

b) O bom pastor instrui as suas ovelhas com a sua palavra e o seu exemplo, e as guia (Jo 10.7)

Instruir é muito mais que transferir conhecimento. Instruir pertence ao campo semântico abrangente de alguém que amadurece uma idéia, um conceito; que vê brotar, nascer e que acompanha seu crescimento. Instruir alguém na Palavra é conduzir através do conhecimento, da simplicidade, da graça, a ovelha à plena vida com Deus.

Diferentemente do corpo diaconal, o pastor tem o compromisso de viver uma vida de constante oração e estudo sistemático da Palavra (At 6.4). Pastor que não tem autoridade bíblica pode até ter credencial de pastor, mas não o é. O verdadeiro e maior compromisso e missão do ministério pastoral é instruir a ovelha no caminho certo através da ministração da Palavra.

Percebe-se ainda, nesse versículo 7, que a ortopraxia deve ser considerada. O pastor instrui também com o seu exemplo. O pastor deve ter uma vida ilibada, uma conduta séria, firme. O pastor não foi chamado para administrar a casa de Deus como se fosse uma empresa e dela tirar proveito próprio. Infelizmente é o que mais vemos nos dias pós-modernos! Homens que lutam para ter uma credencial de pastor a fim de fundarem uma igreja e agirem como uma empresa. Pastor deve ter vida séria.

c) O verdadeiro pastor é inteiramente devotado ao seu rebanho e dá a própria vida pelas suas ovelhas (Jo 10.11)

É claro que o texto faz menção direta ao ato expiatório de Cristo, onde “se entregou a si mesmo por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras” (Tt 2.14). Mas, fica evidente também, que ele “cutuca” o postulante ao ministério pastoral, pois esse deve ser inteiramente devotado às ovelhas; deve viver a vida das ovelhas, sofrer seu sofrimento, chorar seu choro.

Dentre muitas características que o pastor verdadeiro deve ter, uma que chama a minha atenção é a empatia. O pastor deve sentir o sentimento da ovelha, deve comungar com a ovelha. Isso é ser pastor. Há muitos, hoje na pós-modernidade, que não exercem o ministério pastoral, não pastoreiam, não conhecem as ovelhas, não visitam suas ovelhas, não vivenciam os problemas das ovelhas. Cristo, o Pastor maior, afirma categoricamente que o verdadeiro pastor dá sua vida pela ovelha. Não é isso que presenciamos hoje, muito pelo contrário!

“Dá a vida pela ovelha” tem a conotação muito mais abrangente que a literalidade. É padecer junto com a ovelha. O pastorado é um casamento, é uma só carne, um só pensamento, um só ideal. Costumo dizer em minhas aulas de Teologia Pastoral que o pastor é aquele que “como sapo e arrota camarão”. Chora e chora muito, mas aos pés do Senhor; diante das ovelhas, ele se apresenta como o ajudador, o que tem a palavra certa: a palavra de Deus.

d) O verdadeiro pastor garante a segurança do rebanho, tanto agora como para toda a eternidade (Jo 10.27-30)

A pós-modernidade, com suas incertezas plenas têm alavancado uma gama de pastores para esse caminho. O caminho da insegurança. Jesus foi claro e objetivo, afirmou que o verdadeiro pastor garante segurança às ovelhas. A segurança do pastor deve está na ortodoxia de sua mensagem, no conteúdo firme e sólido da exposição bíblica, e na ortopraxia de sua vida; sua conduta ilibada. Há uma mensagem segura, firme e sólida de vida eterna e salvação em Cristo que o inimigo maior que não se pregue, mas que o pastor deve anunciar, pois é esta mensagem que traz segurança às ovelhas.

Diante do exposto acima, não se pode negar que não existe bem maior nesse mundo do que ser chamado e vocacionado para o santo ministério pastoral. Não há honra maior do que ser pastor. É nítido que muitos, com suas atitudes mesquinhas, menosprezam e tentam diminuir a grandeza desse ministério, mas além de não conseguirem, vão receber do verdadeiro e sumo pastor suas devidas recompensas.

Não posso terminar esse artigo sem citar mais uma vez o Dr. Champlin: “Todas essas características fazem violento contraste com os falsos pastores, que são indivíduos totalmente egoístas e perversos, e que, na realidade, não podem oferecer qualquer dessas vantagens e bênçãos ao rebanho de Deus. Por conseguinte, é dito aqui que o verdadeiro pastor, que é Cristo, entra pela porta, isto é, pelos canais espirituais competentes, enquanto não tem necessidade de iludir, posto que todos os seus propósitos são benévolos”.

Destarte, façamos reflexões profundas e, caso necessário, mudemos nosso comportamento ante o ministério grandioso que nos foi confiado.

Sola Scriptura.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

PORQUE EU ACREDITO NA FÉ

“Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Foi por ela que os antigos alcançaram bons testemunhos.” Hebreus 11.1,2
No mundo pós-moderno, regido pelas incertezas e falsas convicções, afirmar algo é como dar um salto no escuro. É comum da pós-modernidade a incerteza, pois, como afirma John F. Macartur Jr., “é marcada por uma tendência a repudiar a possibilidade de qualquer conhecimento seguro e sólido da verdade” (A Guerra pela Verdade, Editora Fiel, 2008). Essa assertiva vem ao encontro do que o texto aos Hebreus salienta. A fé é o baluarte, o contraditório mais sólido para o pós-modernismo. Enquanto o pós-modernismo descarta a possibilidade do que seja seguro e sólido, a fé bíblica é a certeza e a prova das coisas que se esperam e não se vêem. É maravilhoso esse entendimento, exatamente porque nos eleva à condição de defensor das leis divinas.

Se a fé no pós-modernismo é atacada como nunca na história, faz-se necessário desenvolver um espírito crítico e um compromisso sólido e seguro com as assertivas prescritas na Bíblia Sagrada. Aprendi a acreditar na fé por razões subjetivas e empíricas; com o passar do tempo, aprendi a depositar confiança na fé por razões puramente Bíblica.

a) Acredito na fé porque me faz relacionar com Deus e o sagrado de modo muito mais seguro e íntimo

Há múltiplas razões para existir um relacionamento horizontal. Digo que todo relacionamento é pautado pelo concreto; de modo que sua falta, ou até mesmo a possibilidade de sua falta, acarreta em distúrbios, incertezas, descrenças e arrefecimento na relação. Com Deus é bem diferente! Com Deus, a base sustentadora do relacionamento não é o concreto, muito pelo contrário, é o abstrato, aquilo que existe na existência de outro. A fé é puramente abstrata, existe na existência de Deus. Não há crença em Deus fora da fé; não há vida com Deus sem fé. Destarte, a fé é o meio pelo qual o homem pode se relacionar com Deus e o sagrado. Charles Spurgeon foi muito feliz ao dizer que “uma pequena fé levará a tua alma ao céu; uma grande fé trará o céu para sua alma”. Essa é a relação de fusão.

Não há como desenvolver um relacionamento vertical sólido e seguro sem a base da fé. Não interessa o tamanho da fé, sua existência é suficiente para determinar uma relação com Deus. Muitos vivem ministérios raquíticos e sem perspectivas porque não trabalham a fé. Sua fé deixou de ser combustível para se tornar lugar comum.

Acredito na fé porque minha relação com Deus e o sagrado torna-se mais segura e íntima. É uma questão de sobrevivência!!


b) Acredito na fé porque é o meio pelo qual posso agradar a Deus

Não há como dissociar numa relação horizontal o prazer de agradar com o compromisso e responsabilidade. Toda relação horizontal é firmada no dualismo. Há um contrato firmado no concreto em que um se submete ao outro e vice versa. Na relação com Deus acontece dessa forma. Há a necessidade da fé, pois é o meio pelo qual Ele se agrada do homem. O escritor aos Hebreus discorre sobre o tema afirmando que “sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Depreende-se desse texto que a fé é fundamental para se agradar a Deus.

É interessante que a fé conduz o homem à crença na existência de Deus e em seu beneplácito. Que tema lindo! Não há como entender ou desejar entender Deus se não partir da fé. A fé é, portanto, o início de todo relacionamento vertical e o caminho mais seguro para agradar o Criador. Charles de Fouccauld declara que “logo que descobri que existe Deus entendi que não podia fazer outra coisa a não ser viver por ele: minha vocação religiosa começa no exato momento em que despertou minha fé”. A fé pertence a Deus, está no mundo espiritual.

c) Acredito na fé porque ela me conduz ao encontro triunfal de salvação com Deus

Por mais que o homem seja portador de fé e que o próprio Jesus ordene que se tenha fé, não se pode negar nem duvidar que a fé pertence a Deus. “Foi por ela que os antigos alcançaram bons testemunhos”, assegura o escritor aos Hebreus, obviamente apontando para os heróis, sobre os quais comentaria ao longo de seu texto (Hb 11). Ninguém alcança bons testemunhos – do próprio Deus – caso não seja portador do suporte que sustenta a relação vertical, a fé.

O apóstolo Paulo afirma na carta aos efésios que “é pela graça que se é salvo (mudança na pessoa verbal), por meio da fé e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef. 2.8). Nitidamente, o apóstolo Paulo assegura que a fé é dádiva, dom, presente de Deus para uma condição clara: conduzir o homem ao seu encontro. A fé é o sustentáculo da salvação; é o selo dado por Deus àqueles chamados para a salvação.


Conclusão

Por mais que o mundo pós-moderno com suas incertezas tentem arrefecer a fé dos que estão no templo ou na igreja institucional, é importante que se tenha em mente a convicção de que a fé deve ser cultivada, desenvolvida e aquecida nos corações. A marca dos salvos é a fé. Não existe homem sem Deus que possa ter fé; assim como não há homem com Deus destituído de fé. A fé precede a experiência e a sustenta.

Eu acredito na fé; eu acredito em Deus; eu acredito nos ideais sagrados!

Sola Scriptura!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

DOIS PILARES DA SANTA IGREJA

“Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Respondeu-lhe Jesus: Bem aventurado é tu Simão Barjonas, pois não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus. E também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Mt 16.16-18

Introdução

É interessante pensarmos na passagem supra, levando em consideração o trajeto de Jesus com seus discípulos. Jesus não ia para Jerusalém ou uma outra cidade com um histórico de religiosidade. Se Ele funda sua igreja a caminho de, que fosse a caminho de Jerusalém; seria o mais óbvio, mais comum. No entanto, Jesus caminha por caminhos não convencionais. Seus caminhos, muitas vezes, opostos aos nossos; suas idéias são contrárias, muitas vezes, às nossas. Daí, por que ele funda sua Igreja Santa a caminho de Cesaréia de Filipe, uma cidade que, convenhamos, não está à altura de Jerusalém para receber o “status” que a partir desse momento recebeu.

Cesaréia

Essencialmente na Palestina, havia duas Cesaréias: a de Palestina, cidade romana, fundada por Herodes o Grande, situada na costa do Mediterrâneo, 37 Km ao sul do monte Carmelo e 100 Km ao noroeste de Jerusalém; e a Cesaréia de Filipe, cidade gentílica, situada no sopé do monte Hermom, no Antilíbano, na cabeceira principal do rio Jordão, 32 Km ao norte da Galiléia. Distava 40Km de Betsaida [dois dias de caminho desta última]. A antiga Panion também Paneas ou Panias, que hoje ainda subsiste com o nome de Baniyas numa aldeia das fontes do Jordão. Foi helenizada no século III aC com uma população, também na região, que em sua maioria não era judia. Em 20 aC, Augusto a cedeu a Herodes, que nela construiu um grandioso templo dedicado ao imperador, feito de mármore branco sobre uma rocha que dominava a cidade e a fértil planície da qual era capital a antigas Pâneas, assim chamada porque perto da cidade existia uma gruta, dedicada desde tempos remotos, ao deus Pan ou Panion. A cidade foi ampliada e embelezada pelo tetrarca Filipe, que lhe deu o nome de Cesaréia em honra de Tibério César. Por isso foi chamada de Cesaréia de Filipe. A partir do século II foi chamada de Cesaréia de Paneas e no século IV em diante, o termo Cesaréia desapareceu, permanecendo apenas o antigo Paneas. O templo sobre a rocha evidentemente era um símbolo que Jesus não devia desperdiçar.

Lendo o texto

Fazendo uma leitura simples do texto, pede-se depreender que o nascimento da Igreja se dá a caminho da mundanidade, do pecado. Jesus sempre teve em mente o real sentido de ser da igreja, por isso afirmou que “os sãos não necessitam de médicos, e sim, os enfermos” (Mt 9.12). A Igreja nasce para sustentar os ideais sagrados e implementar a salvação. Assim como temos um corpo com membros e os membros são extensão de uma essência, a Igreja é parte integrante e extensão de Jesus, pois Paulo afirma que “Ele é a cabeça do corpo, a igreja; é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1.18). Desta forma, pode-se pensar que a Igreja é agente de Cristo na terra para fazer concreta toda sua vontade. E a principal vontade de Jesus é a salvação dos homens.

Não há dúvidas de que a Igreja nasce a caminho da mundanidade e do pecado, simples e puramente para mostrar que seu papel fundamental é o entrelaçamento com os que estão necessitados, ou seja, os que estão no mundo e no pecado.

Outro ponto que merece reflexão é a artimanha do adversário maior. Em saber que a Igreja nasce para ser agente de Cristo na terra, o adversário maior se prepara, então, para uma guerra sem trégua. Daí o próprio Jesus afirmar que “...as portas do inferno não prevalecerão contra ela (igreja)” (Mt 16.18). Trata-se de uma batalha sem precedente na história. Os relatos bíblicos somados aos da história da Igreja demonstram que o adversário maior não tem outro objetivo se não o de lutar contra os ideais de Cristo, intrínsecos na vida da Santa Igreja. Isso leva a igreja a se sustentar sobre dois pilares:

a) A Igreja é cristológica

É interessante observar que a Igreja nasce de uma revelação. Jesus, ao se dirigir a Pedro, diz que a declaração de Pedro não foi produto do conhecimento formal ou experimental, muito pelo contrário, foi produto de uma revelação divina. Isto significa dizer que a Igreja é, em essência, cristológica. Ela existe por, em e para Cristo. A Igreja gira em torno de Cristo, como Cristo gira em torno da Igreja. Não há como conceber uma idéia de Igreja sem Cristo. Todo conglomerado de pessoas em torno de Cristo, permitindo que Cristo se movimente em torno de si é uma Igreja; o contrário, por sua vez, é simplesmente uma reunião de homens. Templos com pessoas cantando, orando, fazendo tudo parecido com culto, mas que não permite, por alguma razão implícita ou explícita a presença de Cristo não é igreja, é uma reunião de pessoas com boas intenções e similares.

A Igreja é cristológica em suas atitudes. Ninguém pode utilizar-se da igreja para o proveito próprio. Não se pode fazer da Igreja um balcão de negócios escusos. A Igreja nasceu da revelação divina para ser a centralidade de Cristo. É nela que Cristo se manifesta completamente. Veja o que Paulo diz aos Colossenses 2.9, “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Ora, se a Igreja é o corpo de Cristo e em seu corpo habita toda a plenitude da divindade, pode-se depreender dessa afirmação que na Igreja está toda a plenitude da divindade. Aí se configura o mistério do ser cristológico, e a Igreja é cristológica.

b) A Igreja possui uma cristologia sadia e bíblica

Alguém já disse que o “homem é aquilo que come”. A Igreja é exatamente aquilo que pensa sobre Jesus. É sua cristologia, seu pensamento, sua crença sobre Cristo que determinam que tipo de Igreja se é.

Quando Paulo foi aos Coríntios, teve a preocupação de ir desprovido do conhecimento formal e empírico para que sua mensagem não fugisse àquilo que é essência da Igreja. “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Pois nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.1,2). A Eclesiologia de Paulo passava pela sua Cristologia. Se Paulo nutria um sentimento de estruturar uma Igreja sadia em Corinto, ele precisava trilhar pelo caminho de uma Cristologia genuína.

Aos Gálatas, Paulo foi mais incisivo. Após expor o evangelho de Jesus na sua essência, após apresentar Cristo como o crucificado e cabeça da Igreja, ele não deixou pairar nenhuma sombra de dúvida afirmando, categoricamente, aos gálatas que “mais ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema” (Gl 1.8). Paulo sabia que da sistematização do doutrina de Cristo dependia o sucesso ou o fracasso daquela obra.

E assim deve ser o funcionamento da Igreja, Cristológica em tudo. Nunca permitir que Cristo tenha outro papel, senão o central. Ele é a cabeça do corpo, ele é o centro de todas as coisas, é a centralidade de nossa fé, é o alvo maior da Igreja. A isso se soma a sua Cristologia. O que a Igreja pensa sobre Cristo é que vai determinar sua funcionalidade.

Sola Scriptura!