Senhor, ajude-nos a cairmos sempre prostrados aos seus pés em sinal de constrangimento, submissão e amor!



sexta-feira, 26 de setembro de 2008

TESTEMUNHOS SOBRE DIETRICH BONHOFFER


"Os quais pela fé venceram reinos... foram mortos... (dos quais o mundo não era digno)..."
Hb 9.33-40


"Dietrich Bonhoeffer Na manhã do dia 6 de abril de 1945, entre as 5 e as 6 horas, os prisioneiros [...] foram retirados de suas células e o julgamento do tribunal de guerra lhes foi comunicado. Pela porta entreaberta de um quarto, no acampamento, eu vi, antes que os condenados fossem despidos, o pastor Bonhoeffer de joelhos diante de seu Deus em uma intensa oração. A maneira perfeitamente submissa e certa de ser atendida com que esse homem extraordinariamente simpático orava me emocionou profundamente. No local da execução, ele orou novamente e depois subiu corajosamente os degraus do patíbulo. A sua morte ocorreu em alguns segundos. Em cinqüenta anos de prática, jamais vi um homem morrer tão completamente nas mãos de Deus".

[Testemunho do médico do campo de concentração nazista Flossenburg, citado em D. Rance. Un siècle de temóins. Paris: Fayard-Le Sarment, 2000]


"O pensamento de Bonhoeffer ficou inacabado. A morte lhe chegou cedo demais. Foi então que surgiram seus diversos seguidores que tomaram emprestadas algumas de suas idéias dos escritos da prisão. Aconteceu a deformação de suas idéias e nosso autor foi transformado em precursor e pai da teologia da morte de Deus, da ética de situação e da teologia da liberação. Seus pretensos seguidores nunca levaram a sério sua formação teológica e a evolução de seu pensamento. Dezenas de livros foram escritos, mas poucos autores conseguiram penetrar nos labirintos do pensamento de Bonhoeffer".

[Prócoro Velasques Filho em sua obra Ética para nossos dias - Origem e evolução do pensamento ético de Dietrich Bonhoeffer]

Sola Scriptura!

PARA ANDAR SOBRE AS ÁGUAS, É NECESSÁRIO SAIR DO BARCO

"E Ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus." Mt 14.29

Eu havia preparado esse artigo há um tempo atrás, mas ainda não tinha um título. Foi quando recebi uma revista da Editora Vida e, para minha surpresa, ali estava um artigo escrito por um renomado pastor com esse tema. Não tive nenhum receio, fiz uma pequena alteração e copiei o título. É óbvio que o artigo é totalmente diferente, mas vale a explicação de onde veio o título.

O apóstolo Pedro quando ouviu a ordem do Senhor Jesus, não hesitou e foi ao encontro do Mestre. Confesso que perscrutando esse texto e me deixando envolver pela sua simplicidade e profundidade, cheguei a algumas conclusões pertinentes à vida cristã e à forma como a conduzimos.

“Andar sobre as águas”, fala de novos horizontes, novas propostas. Andar sobre as águas é solidificar o abstrato, concretizar o ideal, o sonho. No entanto, andar sobre as águas tem a conotação também de entrega total à vocação ministerial. É importante salientarmos que no envolvimento da vida cristã obtém-se, dentre muitas atitudes, a generosidade do Senhor. Foi o que aconteceu com Pedro, ele ouviu a ordem: “Vem”. Quantos de nós ouvimos essa ordem do Senhor e nos maravilhamos! Sim, maravilhamo-nos porque sabemos que somos úteis na obra do Mestre, porque podemos exercer o ministério a nós confiado, enfim.

“Andar sobre as águas”, portanto impele-nos a Cristo. É caminhar com o Senhor; ser participante de tudo que o Senhor destinou aos fiéis. É compartilhar com Cristo; ser Seu amigo; seu cúmplice. Andar sobre as águas é viver intimamente com o Senhor ao ponto de solidificar o que é líquido.

É isso que o Senhor deseja de sua igreja; que ela ande sobre as águas, que coloque em prática os seus ideais, que viva, cada dia mais intensamente os seus projetos, que lance mão no arado e não olhe para trás; que entenda e encarne a sua responsabilidade como agente de Deus na face da terra; que peça ao Senhor: “se és tu mesmo que está aqui e fala comigo, então me permita ir ao Seu encontro”; e, com certeza, ouvirá do Mestre, tal qual Pedro: “Vem”. Depois, ah! Depois é só lançar-se aos braços do Senhor e viver sobre as águas, viver na dependência exclusiva do Mestre. Aleluia!

Quando pensava nas razões básicas e nos privilégios de andarmos sobre as águas com Cristo, confesso que me veio uma sensação maravilhosa de que estava em outro mundo; pois não há nada mais agradável e mais importante neste mundo do que sabermos que somos úteis para o Senhor e que estamos sobre as águas com Ele. Todavia, pude voltar ao texto, perscrutá-lo mais um pouco e entender que Pedro só conseguiu o milagre de andar sobre as águas, só marcou seu nome nos anais da história cristã, porque um dia saiu do barco. O que representa sair do barco, então? Sair do barco tem a conotação de ato voluntário em seguir os passos e a ordem do Mestre. Sair do barco fala de disponibilidade interna, total e incondicional. Fala em aceitar os desafios propostos e amalgamados no santo ministério.

Não tenho dúvidas de que o Senhor deseja fazer dessa geração uma geração que marque, uma geração que faça acontecer, mas para isso é necessário que saiamos do barco. O barco da incredulidade, o barco da vida sossegada, o barco da escravidão, o barco do cristianismo mascarado, o barco do evangelicalismo, do modernismo, do farisaísmo, etc. Precisamos dar o primeiro passo, consciente de que o Senhor solidificará as águas a fim de que pisemos e marquemos nossos nomes na história. Não tenho dúvida alguma que ecoa a voz do Senhor nesse século dizendo: “Vem”. Sabemos que o mar está bravio, venta forte, é grande e intensa a luta, mas vamos sair do barco e andarmos sobre as águas. Vamos?

É muito importante sermos usados pelo Senhor, exercer nossos ministérios, mas não podemos nos esquecer de que para andarmos sobre as águas, é necessário primeiro sairmos do barco.....

Sola Scripturas.

domingo, 21 de setembro de 2008

A SANTA IGREJA, EM SUA TRAJETÓRIA, GUARDIÃ DOS VALORES E PRINCÍPIOS ETERNOS


INTRODUÇÃO


A Santa Igreja do Senhor é, indubitavelmente, a instituição mística guardiã dos valores e princípios eternos porque é o Corpo de Jesus. O nosso adversário, por sua vez, vem lutando, desde o princípio da história cristã, para desviar a Igreja de sua trajetória vitoriosa, apresentando sempre pressupostos teóricos e práticos que visam à destruição da Igreja.


Neste trabalho, sem pretensão alguma, apresentaremos, em três momentos, as artimanhas do adversário na sua incansável luta contra a Igreja. No período da Patrística, no período da Reforma Protestante e no período da hodiernidade.


Em todos esses períodos o adversário foi derrotado; e o foi porque a Igreja pautou suas idéias nos ideais sagrados, sobre os quais apresentaremos aqui. Nosso intuito é que todos os alunos dessa Escola Bíblica tenham consciência de sua participação nessa luta e, portanto, se apresente a Deus como “obreiro de que não tem do que se envergonhar”.


I - O Período da Patrística


A Patrística é o período que engloba o primeiro ao sexto século. Alguns estudiosos o colocam em datas um pouco divergentes, mas que giram em torno desse período. É também conhecido como o período dos Pais da Igreja, que, por sua vez, se subdivide em dois grupos: Os Pais Ante-Nicenos, porque o período de sua atuação se situa antes do grande marco na história da Igreja que foi o Concílio de Nicéia; e os Pais pós-Nicenos, porque o período de sua atuação ocorre depois do Concílio de Nicéia.


A Patrística é dividida em três grupos:


a) Os Pais Apostólicos: O período que abrange todo o primeiro século, encerrando-se com a morte de João, o último dos apóstolos a morrer.

b) Os Apologistas: O período que abrange os séculos posteriores ao primeiro. São os homens que Jesus levantou para convencer os líderes do estado de que os cristãos nada tinham feito para merecer a perseguição que lhes era impingida. Destacam-se nesse período: Justino Mártir, Atenágoras, Teófilo de Antioquia, Tertuliano, dentre outros.

c) Os Polemistas: É um período paralelo com o período dos apologistas, mas que tem objetivos diferentes. Os polemistas foram os homens que Jesus levantou para combater as doutrinas heréticas que tentavam entrar no seio da Igreja. Destacam-se nesse período: Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes, dentre outros.

É importante salientarmos que no período da Patrística ou dos Pais da Igreja, muitas heresias tentaram se instalar no seio da Igreja. Quase todas as tendências teológicas giraram em torno do conceito cristológico. vejamos algumas:

1) Ebionismo: Pregava um Jesus puramente homem, que, no ato do batismo, fora agraciado com poderes sobrenaturais.

2) Gnosticismo: Pregava a distinção entre Jesus e Cristo. Jesus era um homem comum, filho de José e Maria; Cristo era um espírito ou poder que desceu sobre Jesus quando de Seu batismo.

3) Arianismo: Pregava a divindade de Jesus, mas não aceitava sua eternidade. Aceitava que Jesus foi o primeiro dos seres criados, através de quem todas as outras coisas são feitas.

4) Apolinarianismo: Negava a integridade da natureza humana de Cristo. Afirmava que se Cristo é Deus, ou o Logos, divino, era incompatível uma inteligência infinita e uma vontade humana.

4) Nestorianismo: Negava a verdadeira união das naturezas humanas e divina em Cristo, afirmando ou dando a entender uma personalidade dupla em Cristo. Fazia objeção à frase: “Mãe de Deus”, usada pelos monges à Virgem Maria.

5) Eutiquianismo: Pregava a deificação da humanidade de Cristo ao ponto de hesitar em admitir que seu corpo era da mesma natureza que o nosso. Afirmava que não havia duas, mas apenas uma natureza em Cristo. Tudo acerca de Cristo era divino, mesmo Seu corpo.

II - O Período da Reforma Protestante


O Período da Reforma Protestante é um período singular na história da humanidade. Na verdade, o século XVI é marcado por um avanço enorme. Foi o século das grandes navegações, das grandes descobertas, da entrega às artes, à literatura. Não se pode negar que o homem já estava se desvencilhando das “amarras” impostas pela Igreja medieval.

O período, que precede a Reforma Protestante, conhecido como Humanismo, foi, sem dúvida, um marco divisor entre os ideais da Igreja Medieval e os ideais do homem.


Esse conceito acarretou mudanças em todas as áreas, inclusive, e talvez muito mais, na política. De modo que podemos afirmar que o mundo estava preparado para a Reforma Protestante.


Havia um interesse dos governantes de se libertarem de um poder centralizado em Roma; bem como havia uma mentalidade aberta demais para continuar amarrada às imposições de Roma.


O monge Lutero foi o primeiro a romper com Roma, mas ressaltemos aqui que nunca foi a vontade primeira de Lutero romper com a Igreja, seu desejo maior foi levar a Igreja de Roma ao entendimento que ela, ao longo da história, havia se desviado dos ideais sagrados.


Com Lutero, muitos líderes eclesiásticos, amparados pelos governantes de seus países ou províncias, também se distanciaram de Roma por questões doutrinárias. No entanto, houve uma tentativa do adversário para que o movimento da reforma fosse manchado por algumas heresias e tendências doutrinária-teológicas. Vejamos algumas:


a) A Venda das Indulgências: Muito embora tenha sido essa prática, fruto de concepções teológicas, que contribuiu muito para a Reforma. Muitos continuaram aderindo essa teologia. Pregava que havia uma participação do homem no processo de salvação. O homem, ao ofertar para a Igreja, poderia salvar sua alma ou a alma daqueles queridos que haviam mortos.

b) A questão da Doutrina da Predestinação: Muito embora tenha sido uma doutrina muito debatida, não contribui em nada para o processo de salvação. Prega a soberania de Deus. Tanto Lutero quanto Calvino aceitava tal doutrina, no entanto, Lutero aceitava a predestinação para a salvação, não dando muita atenção para os que se perdem; enquanto Calvino aceitava a dupla predestinação, tanto para a salvação como para a perdição, embasada na soberania de Deus. Foi um abalo na Igreja da Reforma.

c) O Conceito de Ceia: Lutero aceitava a consubstanciação como a melhor teologia para a Ceia do Senhor; Calvino negava a presença física de Cristo, aceitando apenas a presença espiritual de Cristo pela fé nos corações dos participantes.


III - O Período Atual


Nos dias atuais, muitas são as tentativas do adversário para desviar a Igreja de Jesus do seu foco, o céu através da observância das Escrituras. No entanto, por falta de tempo e espaço, vamos nos deter numa aberração que está ocorrendo em nosso meio e que tem, infelizmente, abarcado alguns irmãos – o Movimento G-12. Ressalta-se que esse processo evangelístico (células) em nada contradiz as Escrituras. Os métodos são eficazes desde que os resultados assim o sejam. No entanto, há uma teologia por trás dessa nomenclatura; não se trata apenas de um método inovador de uma evangelização eficaz, há todo um arcabouço teológico que contraria os ideais sagrados, por conseguinte, o repudiamos. Vamos trabalhar alguns pontos, abalizados pelo manifesto do Conselho de Doutrina da CGADB:


1) G-12: O movimento leva esse nome porque pensa e o atrela às doze tribos e aos doze apóstolos. Cremos que o número doze é presente em muitos aspectos na Bíblia, mas é um número como qualquer outro.

2) A Nova Visão: Acreditam que possuem uma nova visão. Cremos que o que Jesus pré determinou para a Igreja está inserido nas páginas da Bíblia, não cabendo nenhuma outra revelação nova ou nova visão. O apóstolo Paulo falou aos gálatas sobre isso – chamou de anátema.

3) Quebra de Maldição hereditária: Acreditam e pregam que muito do que se passa hoje é fruto e conseqüência de pecados cometidos por seus antepassados e até mesmo pela pessoa estando ela ainda no ventre materno. Ao passo que a Bíblia nos afirma que dos nossos pecados Jesus não se lembraria mais.

4) Libertação e cura interior: Assegura que salvação é decorrente dos encontros em que são realizadas as regressões, curas interiores, as libertações, etc. ao que refutamos, pois toda e qualquer tentativa de salvar o homem, fora do sacrifício de Jesus no Calvário é abominação às Santas Escrituras.


CONCLUSÃO:


Cabe a nós, servos do Senhor e militantes na santa Igreja, afirmarmos e reafirmarmos os ideais de Cristo prescritos na Bíblia Sagrada. Não permitirmos que nessa luta, o adversário saia vitorioso. Muito embora, cremos que a Igreja jamais perderá essa batalha.



BIBLIOGRAFIA
HAGGLUND, Bengt. História da Teologia. Concórdia Editora Ltda. 4ª Ed. 1989
CAIRNS, Earle E.. O Cristianismo Através dos Séculos. Ed. Vida Nova. 1992
THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. IBR. 1999
www.avivamento.net/g-12 em 09/08/2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

ONDE A MORTE E A VIDA SE CONVERGEM


“Pois para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” Fp 1.21


A morte é, sem dúvida, um tema causador de grandes debates; seja na esfera teológica como em qualquer outra. Desde que o homem se entende por homem e passivo de morrer, ele discute, pensa, filosofa, conclui e não conclui, enfim; disseca sobre a morte. E quanto mais pensa, menos se conclui enfaticamente.

Esse tema é debatido no âmbito da filosofia como sendo um tema profundo, abrangente e, até certo ponto, salutar, pois é o caminho de todos os seres viventes, e não seriam viventes se não houvesse a possibilidade de morrerem. Para Platão, a morte representava a “libertação da alma dessa matéria inibidora”. O grande sábio entendia que na morte “o homem realiza a sua verdadeira natureza: a contemplação intuitiva do mundo ideal”. Por essa linha, seguem as escolas platônicas e neo-platônicas.

O cristianismo do primeiro século, que teve vários enfrentamentos com as filosofias neo-platônicas, apresenta um conceito de morte diferente do que estava em voga no momento.

a) A matéria não é má

Se a filosofia pregava a morte como uma libertação da alma, era automática a crença na fragilidade do corpo, num corpo mau. O cristianismo é implacável contra esse pensamento. Paulo fala sobre o engrandecimento do nome de Jesus em seu próprio corpo, seja na vida ou na morte (Fp 1.20).

b) A morte não é o fim último da vida

A filosofia anunciava o verdadeiro objetivo do ser humano como sendo a busca incansável pelo mundo ideal, conquistado apenas com a libertação da alma. O cristianismo primitivo entendia (como entende ainda hoje, óbvio) que o fim último do ser humano é a contemplação de Deus, seja nessa vida ou no porvir, e para tal, não é necessário que o homem se “liberte” do corpo, pois na contemplação final e eterna, o homem estará com corpo, pois Paulo fala na existência de corpos celestes e na ressurreição (1 Co 15.40, 42).

Nos dias atuais, esse tema continua sendo debatido, e continua controverso. O mais interessante é se entender que a morte em teoria não pertence a esse plano. Quando Paulo enfatiza a morte, no texto supra citado de Filipenses, há a nítida percepção de que ele tem um conceito muito mais abrangente e profundo do que temos ao analisarmos cruamente. À medida que se contrapõe a morte aos mais variados tópicos que permeiam a vida, fica mais distante o entendimento bíblico desse tema.

Não se pode pensar em questões espirituais em plano material. A morte deve ser analisada em plano espiritual. Daí o entendimento de que no plano superior, na esfera em que Deus age, morte e vida se confundem. Aqui, a morte tem várias conotações, tais como perda irreparável, ponto final em sonhos, ideais, enfim. E a pergunta que não quer calar: quem tem promessas, pode morrer? Não é fácil responder a tal pergunta, exatamente por que não é fácil fazer-se uma distinção entre a percepção de morte no prisma espiritual com suas conseqüências no âmbito material da percepção no prisma material.

Parto do entendimento de que tudo está no controle de Deus. É Ele quem faz como quer e quando quer. Daí o entendimento de que a morte pode nos alcançar hoje e nos causar grandes perdas, dores fortes e similares, mas no plano de Deus não. No plano de Deus a morte e a vida se convergem em uma só coisa. Não há diferença, não há espaço, não há tempo, a morte e a vida não são estágios para Deus como são para nós. Morre-se uma criança, para nós morreu uma criança; se morre um sacerdote, para nós morreu um sacerdote; se morre um autêntico servo de Deus com um ministério brilhante pela frente, para nós morreu um homem com um brilhante ministério pela frente. No plano de Deus não acontece desta forma. A morte não é separação, não acontece no tempo nem no espaço, pois Ele é atemporal e não se limita ao espaço. Tudo acontece num mesmo momento. Deus não faz distinção entre criança, jovem, ministério, enfim.

Diante de tudo isso, de todas as perguntas sem repostas, prefiro ficar com a frase de Moody: “Algum dia vocês lerão nos jornais que Moody morreu. Não creiam nisso, pois naquele dia eu estarei mais vivo do que agora ... Apenas fui encontrar com Deus”.

A morte é apenas um estágio que na ótica celestial se converge com a vida.

Karis kai eirene.

sábado, 13 de setembro de 2008

A CENTRALIDADE DO EVANGELHO NO CENTRO DA IGREJA

"Vós sois o sal da Terra. Mas se o sal se tornar insípido, com que se há de salgar? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e pisado. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte." Mt 5.13,14


Não posso negar que algo tem contribuído muito para alguns arrazoamentos que têm me afligidos nestes últimos tempos. Não são caracteres externos aos do cotidiano de quem vive ou luta para viver uma vida com Deus. A situação da Igreja do Senhor, o caminho que a liderança evangélica tem tomado, levam-me a profundas indagações e a meditações singulares. Lembro-me muito bem de um diálogo com um amigo ainda no seminário teológico, no Instituto Bíblico Central das Assembléias de Deus, na cidade de Pindamonhangaba, SP. Conversávamos acerca do futuro da Igreja e chegamos à conclusão de que estamos diante de dois problemas cruciais: primeiro, que tipo de obreiros vão assumir a igreja? Nossos obreiros, na maioria das vezes filhos de pastores, (estamos diante de uma hereditariedade desenfreada. Tratam a igreja como firmas) estão se interessando em ser advogados, psicólogos, administradores, contadores, engenheiros, menos pastores (talvez pelo fato de pensarem que o pastorado é uma questão de tempo). Não querem ir a um bom seminário, não querem cursar teologia, não querem se preparar para o exercício do ministério. E não o querem, talvez, e isso me entristece mais, por já terem a cadeira cativa.

Segundo, que tipo de igreja os novos obreiros vão receber. Talvez aí esteja o maior problema. Nossos líderes atuais não se preocupam ou não têm demonstrado preocupação com as relações e conchavos cancerígenos. Não se percebe nenhuma iniciativa para tirar a igreja, enquanto instituição que prima pela verdade sólida, absoluta e pela ética, desse caminho mórbido do balcão sujo de negócios escusos.

Sei que a Igreja é de Cristo e por isso jamais sofrerá danos, mas a igreja institucional administrada por homens negociadores tem se manchada e, com isso, ferido aqueles que são sérios. Não podemos perder, entre outras coisas, a centralidade de nossa função como Igreja de Cristo, nossa razão de ser e existir. Quando esquecemos quem somos, é porque esquecemos quem Cristo é, e ao esquecermos quem Cristo é, perdemos nossa identidade, e sem identidade de Cristo nada do que façamos ou dissermos causará impacto positivo na vida das pessoas. Esse é o maior problema da cristandade.

No entanto, há um mecanismo, há uma ferramenta para nos tirar desse marasmo espiritual: permitir que Cristo seja o centro do evangelho que pregamos. Precisamos resgatar nossa identidade de Igreja imaculada. O texto de Apocalipse 21.2 diz que João viu “a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido”. Notemos que a Igreja não se adereça, mas é adereçada, ou seja, ela sofre a ação. A Igreja não tem poder por si só, não tem autoridade por si só. A Igreja sem a centralidade de Cristo é um conglomerado de pessoas discutindo ideologia. Penso que seja pela aproximação com esses seres que a igreja sem a centralidade de Cristo vive seus dias de discussões ideológicas, feita um partido político. Mas não é isso que Cristo quer da Igreja. Muito pelo contrário, o que Ele deseja para a Igreja é que ela se posicione acima de todas as instituições e, como a instituição detentora da promessa de Cristo, se porte como atalaia, propagadora das verdades eternas e salvívicas.

É nesse afã e interesse que oro a Deus. Penso que a Igreja do Senhor voltará à centralidade do evangelho e portando a simplicidade do evangelho entenderá que ela é maior que todas as demais instituições. Sem perdermos a identidade de nosso Cristo, chegaremos ao sucesso final.

Karis kai eirene.

William de Jesus é Pastor auxiliar na Assembléia de Deus-Ministério Sul Fluminense e Diretor do Instituto Bíblico das Assembléias de Deus em Angra dos Reis-IBADAR.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

VERGONHA COMO PRESSUPOSTO DO SAGRADO

Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus."


O apóstolo Paulo foi sem dúvida alguma um homem de Deus. Conheceu profundamente o propósito de Deus para a igreja, e sobre esse tema sistematizou seus ensinamentos. Certa vez, escrevendo a Timóteo, um jovem pastor a quem o próprio Paulo chamava de filho, disse:
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15).

Há, nitidamente nesse versículo, uma preocupação, um zelo de Paulo com o desenvolvimento do ministério de seu filho Timóteo, pois o exercício do ministério desemboca em relevantes trabalhos que, por sua vez, despertam os curiosos de plantão e as astúcias do adversário maior. Destarte, nada melhor que um conselho de quem já experimentou as garras do mal e os convites mesclados de agrado que culminam na derrota final. Foi o que Paulo fez em relação a Timóteo.

No entanto, percebe-se que algo muito mais profundo que passar conselhos práticos estão intrínsecos nesse texto:

a) Conotação de preparo.

Quando Paulo diz a Timóteo “procura apresentar-te a Deus aprovado”, ele não quer dizer nada menos que: “Esteja preparado.” No entanto, em que consiste esse preparo? Sabe-se que o homem de Deus deve se preparar holisticamente, em todos os planos e esferas de suas relações. O preparo, sobre o qual o apostolo fala, perpassa o natural, físico, empírico e atinge o sobrenatural. Enfim, há tantas outras situações que poderiam ser esmiuçadas aqui, mas não se fará porque o texto delineia e aponta a direção desse preparo.

b) Conotação de não ter vergonha.

É interessante que Paulo, ao introduzir o caminho do preparo do homem de Deus, o faz com uma oração subordinada adverbial conformativa (ainda que alguns a tenham como comparativa): “... como obreiro que não tem de que se envergonhar...”. A vida do homem de Deus deve ser então sem pecado? Não, obviamente que não. Afinal de contas, todos somos pecadores por natureza, mas não se pode ter comprometimento com o pecado. O pecado é para ser confessado e deixado. Uma vez deixado, esse pecado não faz parte mais de nossas vidas. Vergonha aqui tem o sentido de postura ética e moral; compromisso com os ideais sagrados, pois essa oração é explicada por outra, que é nosso terceiro ponto.

c) Conotação de ter a Bíblia como única regra de fé e prática.

Assim Paulo encerra seu conselho a Timóteo (ao menos nesse versículo): “... que maneja bem a palavra da verdade.” Ou seja, a Bíblia sagrada deve ser o centro de nossa atenção. É na palavra de Deus que se deve buscar entendimento sobre todas as coisas. Manejar a palavra da verdade é ter um mínimo de conhecimento bíblico, é fazer, ao menos, uma leitura da Bíblia por dia. É ter uma relação estreita com a Bíblia Sagrada. O dia em que essa prática for uma realidade constante ter-se-á obreiros mais ávidos pelo sobrenatural de Deus.

É com esse entendimento do texto supracitado, que se deve pautar o homem que se diz de Deus. Não deve deixar o adversário maior ludibriá-lo. O homem de Deus é uma liderança natural e tem compromisso com seus liderados. Precisa tomar cuidados para não cair nas artimanhas do mal. Há uma ideologia cristã que está acima de quaisquer prerrogativas ou adereços que possam ser apresentados em balcões. O obreiro é, por natureza, um ser de Deus e sua vida deve ser pautada na doutrina prescrita na Bíblia Sagrada.

A hora chegou. Hora em que muitos chegarão diante dos obreiros de Deus para negociar os votos das ovelhas. Temos consciência de que estamos em uma sólida democracia e que cada um tem direito sobre seu voto, mas não se pode negar que uma boa liderança tem certo “poder” sobre seus liderados, e deve ter mesmo. No entanto, obreiros de Deus, repousa sobre os Senhores Reverendos a responsabilidade de ter vergonha e não ter, diante de Deus, de que se envergonhar. Não ter de que se envergonhar diante de Deus é melhor do que barganhar o sagrado por qualquer “prato de lentilhas”.

O obreiro de Deus tem responsabilidade social e política, além obviamente da religiosa, mas deve exercê-la à luz da Palavra de Deus, pois ecoa muito forte o brado de Paulo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.


William de Jesus é Pastor auxiliar da Assembléia de Deus – Min. Sul Fluminense e Diretor do Instituto Bíblico das Assembléias de Deus em Angra dos Reis – IBADAR.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

RELIGIÃO HERDADA... CRISTIANISMO SEM CRISTO

Na atual conjectura que estamos vivendo, não se faz necessário ser um “PH.D” para tomar conhecimento de que estamos em crise. Esta crise atinge-nos através dos mais diversificados setores: crise na economia, na política, na saúde, na educação; enfim, crise na esfera material. Na religião, não poderia ser diferente. Estamos, também, vivendo uma crise na religiosidade.

Confesso que perscrutando um texto bíblico, Jo. 4:4, cheguei a um envolvimento mais profundo dessa crise na realidade atual. Nosso problema já foi apresentado por Cristo na passagem supra e, no século passado, por Dietrich Bonhoeffer. Analisemos primeiro o pensamento de Bonhoeffer e depois a dissertação de Cristo.

Dietrich Bonhoeffer (D.B.), pastor e teólogo alemão martirizado no ano de 1945 por defender os ideais cristãos e lutar ideologicamente contra os postulados de Adolf Hitler, foi o arauto, o profeta que o Senhor levantou no século passado para apresentar as razões por que a igreja e a sociedade passaram por crise religiosa. D.B. percebeu que “o mundo chegou à maioridade” e, por conseguinte, necessitava de um “cristianismo a-religioso”, ou seja, a religião que permeava o ser humano era herdada, mascarada, não produzia mudança de vida nem de comportamento.

Enquanto a igreja se fechava em seus “dogmas” e tradições que não a levavam a lugar algum, o mundo “crescia” ideologicamente, se alimentando das filosofias de Frederich Nietzsche que pregava “a morte de Deus” e o “advento do super-homem”.

D.B. foi o homem levantado pelo Senhor para anunciar à sua geração que a igreja precisa muito mais do que uma religião herdada, muito mais do que um nome, uma fachada, pois tudo isso, sem a essência da religião de Cristo – o próprio Cristo – não passa de um cristianismo barato, sem o Cristo da cruz.

A voz de D.B. foi calada por Hitler, mas sua mensagem continua a nos falar bem forte. Que o nosso cristianismo possa ser desprovido da religião farisaica que nos permite embaraçarmos com as doutrinas bíblicas e cristãs pertinentes à salvação em detrimento às tradições e aos dogmas puramente “religiosos”.

O próprio Jesus falou-nos sobre o cristianismo sem Cristo, que nos é oferecido pela religião herdada, em Jo.4:4. É importante frisar que “era necessário Jesus passar por Samaria”. O texto, em nenhum momento nos passa a impressão de que aquele era o único caminho. Havia uma necessidade de ordem espiritual. Quando Jesus trava o diálogo com a samaritana, ela lhe fala sobre a adoração no monte, quando os judeus adoravam no templo. Este era o grande problema. Aí se concentrava a problemática da religião herdada, e Jesus tratou logo de resolvê-la: “... os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade...” (Jo. 4:23).

O que vemos aqui é que a samaritana nem sabia por que adorava no monte. Ela assim o fazia porque seus pais também assim o fizeram, ou seja, sua forma de adorar e apresentar sua religião foi herdada. Não havia significado em sua religião, e quando nossa religião perde o significado, nosso cristianismo perde Cristo.

O grande problema não está em sermos ou não religiosos, mas em sabermos se Cristo está ou não no nosso cristianismo. Vejamos algumas idagações: onde estamos indo em nome de nossa religião? A que tipo de programas estamos assistindo? Que tipo de revista estamos folheando? Que tipo de culto prestamos a Deus?

Quando a religião é puramente herdada e sem Cristo, temos a ”certeza” da salvação, mesmo que não a vivenciemos, mas achamos que a temos; daí advém as “algazarras” nos encontros joviais onde a reverência sede lugar ao extravaso desordenado. Não somos adeptos à liturgia letárgica e ultrapassada, mas defendemos a boa ordem no culto e a adoração, além da reverência. Cremos que podemos prestar um culto alegre, carismático e longe de um mundanismo que é reflexo da religião herdada... cristianismo sem Cristo.

Aprendamos com Jesus e com Bonhoeffer e analisemos nossos postulados e nossas vidas, a fim de chegarmos a uma conclusão satisfatória sobre nossa conduta. Que tipo de crentes temos sido? O nosso cristianismo tem feito a diferença? Caso não, é porque temos sido simplesmente religiosos sem Cristo.

O que Jesus exigiu da samaritana, e exige de nós, igreja poderosa e militante, é que entendamos sua mensagem e deixemos de lado as tradições puramente denominacionais que não nos levam a nada, e nos firmemos na doutrina de Sua palavra. Côncios de que a religião de Cristo é aquela que nos trás experiências profundas, marcantes e lineares. Precisamos mais do que nunca fixar nossos olhos em Cristo, firmarmos no cristianismo com Cristo e mancharmos para o Céu.

Deixando o evangelho barato, abraçando a religião de Cristo, nosso cristianismo fará a diferença.


William de Jesus é Pastor auxiliar na Assembléia de Deus – Ministério Sul Fluminense e Diretor do IBADAR (Instituto Bíblico das Assembléias de Deus de Angra dos Reis).


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

COMO NUVEM DE GAFANHOTOS, ELES ESTÃO CHEGANDO!

“O que ficou do gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que ficou do gafanhoto migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que ficou do gafanhoto devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor”. Joel 1.4.

Há algum tempo, venho pensando profundamente na possibilidade de expor, através de um artigo, meus pensamentos e minhas idéias sobre o real quadro de pura instabilidade, incertezas e morbidez que permeia nossa sociedade angrense. Quadro esse, fruto da inconsistência e depravações dos valores ético-morais, os quais devem pautar nossa conduta em todos os setores de nossas vidas.

Foi com pesar, tristeza e decepção que tomei conhecimento da desistência da terceira via. Penso que quando alguém se predispõe a entrar no processo político-eletivo tem conhecimento de que, com sua atitude, envolve outras pessoas (e, diga-se de passagem, muitas, ou até a grande maioria, pessoas de bem), envolve ideais e vidas. Se for uma pessoa, cuja vida é pela postura ético-moral, o mínimo que se espera é uma atitude de levar sua candidatura até o fim, mesmo que se perca a eleição. Uma derrota nas urnas não é absolutamente nada, diante da palavra empenhada.

É com muita preocupação – e, por isso mesmo, estou me resguardando em um processo salutar de oração e reflexões – que acompanho o envolvimento, sem precedente, da liderança evangélica com a política partidária (resguardando alguns poucos líderes). Penso que, como diz Aristóteles, “todo homem é um ser político”, mas, entendo, que nem todos devem se envolver com a política partidária. Aquele que aceita o chamado ministerial e se entrega ao serviço sacerdotal é representante do sagrado. Seu papel mais sublime na sociedade é servir, pastorear e apascentar. Não há como associarmos o serviço pastoral, sacerdotal com o envolvimento na política partidária. É incrível como alguns líderes estão com seus olhos vendados e não percebem que estão sendo presas fáceis para o adversário maior! A semelhança dos ímpios que viviam no período de asafe, espremem a justiça e a sorvem como um copo d’água; não há o mínimo de preocupação com o chamado e a responsabilidade com a igreja.

É com muita veemência que leio o texto de Joel. Acredito que se trata de um texto histórico-escatológico. Um texto que nos remonta ao ataque das hostes infernais que virão para destruir a terra e os valores que a regem. Acredito, com muita tristeza no coração, que muitos dos nossos líderes, com suas atitudes mesquinhas e descompromissadas com o evangelho de Cristo, fazem parte, se não das primeiras fileiras, desse exército de gafanhotos. Que Deus nos proteja dos inimigos e das condutas dessas lideranças.

É com olhar profético e nutrindo a viva esperança que vejo no horizonte o agir de Cristo em prol dos fiéis. Não importa se percamos hoje, o mais importante é sermos fiéis aos ideais de nosso bom mestre e segui-los, independente de quaisquer ações contrárias. Não podemos jamais nos esquecer de que a Igreja sempre será a Igreja limpa, incorrupta, que não se vende; não barganha valores, nem se assenta nas rodas dos escarnecedores. Todos nós chegaremos diante de Cristo para a prestação de contas, e naquele dia cada um dará conta dos seus atos.

Que Deus nos proteja!

William de Jesus é pastor auxiliar na assembléia de Deus – Ministério Sul Fluminense e Diretor do Instituto Bíblico das Assembléias de Deus de Angra dos Reis.

GRAÇA COMUM E GRAÇA SALVADORA

É comum nos dias atuais, observar certa confusão entre os conceitos relacionados à graça. Graça, numa definição bíblica e teológica, é o favor imerecido de Deus. Essa definição, por si só, remonta a um outro tema abrangente e importantíssimo, a soberania de Deus. Se graça é favor imerecido, então o primeiro passo quem dá é Deus. Destarte, não se pode analisar o conceito e objeto da graça desatrelada ao conceito da soberania de Deus.
É sabido que o conceito e o estudo de graça são abrangentes, por conseguinte, far-se-á, aqui, uma abordagem da graça comum e da graça salvadora com suas respectivas implicações na história e na teologia.

Por graça comum entende-se o favor de Deus em relação à humanidade. Wayne Grudem diz que “os incrédulos continuam a viver neste mundo unicamente por causa da graça comum de Deus”, ou seja, é o puro beneplácito de Deus que permite a todos que respirem, pois o salário do pecado é a morte, não a vida (Rm 6.23). Jesus, consciente da graça comum, incentivou seus discípulos a amarem seus próprios inimigos e rogarem ao Pai celeste, porque Ele faz nascer o sol sobre os maus e os bons (Mt 5.44,45). Paulo em Listra prega sobre a igualdade e equivalência de Deus em relação às bênçãos comuns (At 14.14-17). Pode-se depreender destes textos que o homem pecou em Adão e foi destituído da glória de Deus (Rm 3.23), desta forma, não poderia, por direito e legalidade, receber de Deus nada menos que o inferno; no entanto, não é isso que se vê ao longo da história, muito pelo contrário, vê-se um mundo que recebe da parte de Deus tratamento igualitário no que tange às bênçãos da chuva, do sol, da plantação, da colheita e do ar que se respira. Há, portanto, uma graça de Deus em tudo isso. A essa graça, os teólogos chamam graça comum. Comum, porque não confere salvação, não vem amalgamada aos valores implícitos que remontam os eleitos em Cristo a um patamar mais elevado de comunhão e santificação.

A graça comum de Deus confere aos homens habilidades profissionais, intelectuais, morais e físicas. É comum ver homens sem relação íntima com Deus alcançando sucesso nessas áreas, assim como é comum encontrar pessoas amantes da ética e da moral sem que tenham um mínimo de respeito aos valores sadios da Bíblia Sagrada. São frutos da graça comum de Deus dispensada a todos os homens. Esse entendimento levará o eleito e salvo em Cristo a não viver no ciclo das lágrimas em que viveu Asafe (Sl 73). Asafe não conseguia compreender que a graça comum de Deus concedia um bem comum a todos e que cabia a ele, enquanto homem de Deus, entender o motivo pelo qual Deus o levara por aquele caminho. Com certeza, aquele caminho serviu para fazê-lo crescer e desenvolver um relacionamento mais sólido com Deus.

Por outro lado, percebe-se que há uma graça de Deus que desemboca em salvação da alma. O apóstolo Paulo escreveu que “é pela graça que sois salvos” (Ef 2.8). Isso quer dizer que o homem nada fez e nada faz nesse processo de salvação. Ele é paciente, o agente é Deus em sua graça. Pode-se concluir que salvação é graça de Deus derramada na vida dos eleitos em Cristo (Ef 1.4). Nitidamente, não se trata de uma graça dispensada a todos os homens, mas a um grupo especial, e especial em Cristo. Paulo, em vários textos, refere-se à igreja como eleita. Perceba que a igreja não elege, mas é eleita, ou seja, mais uma vez depara-se com o favor imerecido de Deus – com a graça. Mas, uma graça que não se iguala à comum, pois não é outorgada a todos os homens. A essa graça, os teólogos chamam graça salvadora.

A graça salvadora é aquela que vem sobre o homem, “morto em seus delitos e pecados” (Ef 2.1), incapaz de ter qualquer reação em relação a tudo que diz respeito a Deus para “vivificá-lo juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef 2.5). É a graça que confere salvação (At 15.11; Rm 3.24; 5.15; 11.6; Tt 2.11).

A graça salvadora confere ao homem habilidades em todos os campos e esferas da vida, capacita-o a fazer boas obras e o leva a um compromisso mais sério com Deus e o sagrado. Muito embora, alguns, hoje em dia, têm tentado baratear a graça salvadora de Deus, oferecendo salvação como se fosse mercadoria estendida em um balcão, o que se percebe de bíblico e teológico nesse conceito é que a graça salvadora de Deus é oferecida para a justificação e vem atrelada a uma mudança de iniciativa e postura.

Depreende-se de tudo o que foi discutido que fazer o bem e se envolver com boas obras e ideologias por si só, são produtos da graça comum de Deus, mas quando se faz o bem e se envolve com boas obras e ideologias com um sentimento interno de engrandecer em tudo isso o nome de Jesus, são produtos da graça salvadora. A graça salvadora suplanta a graça comum porque esta desemboca em salvação.


William de Jesus é pastor auxiliar na Assembléia de Deus - Ministério Sul Fluminense - em Angra dos Reis - RJ e Diretor do Instituto Bíblico das Assembléias de Deus em Angra dos Reis.